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Mudança dos tempos: o fim das lan houses

Batizado como “Lei das Lan Houses”, o PLC 28/2011 é de autoria do deputado Vieira Reis (PMDB/RJ) e “declara tais estabelecimentos como de especial interesse social para universalização do acesso à rede mundial de computadores”. Ainda discutido ao longo de 2013, do ponto de vista de 2014 é um claro sinal de como as mudanças da sociedade civil são mais rápidas do que qualquer legislação.

Como evidência disso, há a notável informação de que foi fechada a última Lan House existente na comunidade de Heliópolis, o maior aglomerado humano de moradias populares da Grande São Paulo. Antiga favela reurbanizada, é verdadeiramente uma pequena cidade dentro de uma metrópole.

Algumas últimas Lan Houses em funcionamento, como a “MA Serviços” em Taboão da Serra, vem mudando seu perfil. Ao invés de vender acesso à web, passam a ser uma loja de internet e informática, oferecendo equipamentos, manutenção e aulas de inclusão digital.
Lan Houses x Smartphones

A velocidade do fim das Lan Houses acompanha a escalada de vendas de smartphones. Comparando com 2013, a alta de comercialização destes aparelhos nas lojas é de 179%. Já é possível ter boas opções a partir de R$ 300,00.

De todo volume de celulares vendidos no país diariamente,  os smartphones representam 79%.  Especialistas da empresa de pesquisas de mercado Nielsen, consideram ser possível este número chegar a 85% até o final deste ano.

A revolução em andamento, com a mudança de conexão da internet preferencialmente por bandas móveis em detrimento das bandas fixas, tem provocado súbitas transformações de forma geral na maneira das pessoas acessarem a web.

A navegação por celulares  trouxe  individualidade e livre acesso a internet para as pessoas. Ao invés de dividir espaço e de tempo contado como se fosse um taxímetro na Lan House, o consumidor por planos de R$ 30,00 a R$ 40,00 já pode ficar 24 horas online.

O impacto é tão grande e súbito, que mesmo grandes corporações como bancos, precisaram rapidamente lançar aplicativos para levar seu atendimento para a móbile comunicação.

Portanto a opção da população, e de forma inequívoca também nas camadas de renda C, D e E foi clara:  é mais interessante comprar seu smartphone, mesmo em parcelas com juros em redes de lojas como Pernambucanas, Magazine Luíza, Casa Bahia, Ponto Frio e outras, do que gastar dinheiro por pequenas faixas horárias em concorridas Lan Houses de tempos atrás.

Wi - Fi Público

Complementa este cenário as iniciativas do Governo Federal e diversas prefeituras de dotarem com infra- estrutura de acesso à internet diversos espaços públicos como parques, praças e centros comunitários de periferia.

Esta conexão pública e gratuita tem sido útil para muitos jovens de baixa renda como maneira de acessarem a web,  sem assumirem planos pós-pagos das operadoras de telefonia.

Permitem assim uma maneira autônoma de buscar notícias, ouvir música, ver vídeos e usar a internet para empreender e interagir.  Essa atitude de socializar e somar conhecimento com liberdade tem transformado as perspectivas de vida de muitos.

Essas mudanças de paradigma demonstram  o poder de mudanças provocado pelo manuseio próprio e pessoal da tecnologia, com o acréscimo de novas percepções, novas habilidades e expansão das formas de capacidade cognitiva.

As Lan Houses podem ter ficado para trás, tristes devem ter ficado seus empreendedores. Mas abriu-se um novo futuro onde sociedade e internet popularizada mostram-se cada vez mais íntimos.

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