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Covid-19: "Estamos com medo de ser dizimados", diz Tupinambá Nice Gonçalves

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Povos indígenas foram dizimados por conta de doenças trazidas da Europa, sobretudo, no século XVII. Em 2020, o medo de ter os parentes extintos toma conta das aldeias e comunidades indígenas. Na Bahia, uma pataxó está isolada com suspeita de ter sido infectada pela Covid-19. A Fundação Nacional do Índio (Funai) afirma que não há nenhum indígena confirmado com a doença. O governo Bolsonaro, por sua vez, têm se mostrado ineficaz nas políticas de proteção.

Nice Gonçalves, 30 anos, é jornalista e ativista indígena da nação Tupinambá. Ela é da comunidade Rio- Tocantins, no baixo Tocantins, Guajará de Baixo, em Cametá, no nordeste do Pará. A indígena Tupinambá relata que um caso de suspeita de contágio pelo novo coronavírus tem levado preocupação para a população indígena da região.

"Essa informação está circulando entre os indígenas, eles recebem com muito susto. Estão assustados, estão com medo, porque no passado doenças como essa dizimaram muitos povos. A gente tinha uma suspeita de coronavírus na aldeia Pataxó, no Sul da Bahia. O primeiro exame deu negativo, mas tem o da contraprova, estamos aguardando esse exame para saber se a parente contraiu ou não o coronavírus. Tem duas pessoas em isolamento nessa aldeia, que é a aldeia Coroa Vermelha. Uma delas teve contato com um turista estrangeiro, porque trabalha em um hotel próximo da cidade", conta.

Apesar da Funai não reconhecer oficialmente, a indígena da Coroa Vermelha – a maior das oito aldeias dos indígenas Pataxó, em Santa Cruz Cabrália, com uma população de 5 mil indígenas – está isolada. A recomendação é que não se permita entrar ninguém na comunidade, apenas equipes de saúde que respeitem os protocolos de higiene. O povo pataxó comumente recebe turistas que visitam as praias do Sul da Bahia.

Para a indígena Tupinambá, o governo brasileiro é negligente não apenas com os indígenas, mas com toda a população brasileira.

O governo não está cuidando dos povos indígenas frente a essa pandemia. Primeiro que o governo não está cuidando nem de quem não é indígena, porque a própria postura dele, o exemplo que ele vem dado é absurdo diante do problema tão grande que estamos vivendo. Então, não está tendo assistência e este governo é tão danoso para os povos indígenas que já tem um plano sendo executado desde que foi eleito de acabar com a pouca estrutura que existia de atendimento à saúde básica dos povos indígenas", afirma.

A indígena conta que a saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos gerou uma deficiência ainda maior no atendimento aos indígenas, porque muitos dos médicos atendiam às comunidades. No estado do Pará, segundo dados da Federação das Associações de Municípios do Estado (Famep), de 2013 a 2018, atuavam 542 médicos cubanos de um total de 700 do programa.

Dos 144 municípios do estado, 59 eram exclusivamente atendidos por cubanos, assim como quatro Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs): Altamira, Guamá, Tocantins e Rio Tapajós. Segundo os últimos editais disponíveis no site do Mais Médicos, apenas 92 profissionais brasileiros constam como aprovados para atuar no Pará.

"Em 2019 aumentou em 12% a mortalidade de crianças e isso é uma junção da retirada dos médicos e o próprio desmonte da saúde indígena. A dificuldade de acesso, medicação, profissionais, tudo isso tem contribuído para esse aumento da mortalidade, aumento das doenças, falta de atendimento adequado. você vai nas CASAIs [Casas de Apoio à Saúde Indígena] nos polos e você vai ver a situação precária", pontua.

Saiu muito tarde, saiu agora dia 17, a portaria com as medidas de cuidados com os povos indígenas e isso depois de uma pressão dos movimentos sociais, dos indígenas. Essa portaria é muito rasa. O indígena da Amazônia é diferente do indígena do Sul, vive realidades diferentes. A maioria dos indígenas do Norte, da Amazônia, vivem em comunidades ou aldeados. A portaria é simplesmente uma coisa geral, que não garante nada. Não vai reforçar as equipes, não tem material de higiene, não tem álcool em gel", critica.

Para Haroldo Pinto, membro da coordenação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesse momento o objetivo é evitar o contato com os povos indígenas de forma a preservá-los. As equipes, inclusive, estão de quarentena, sobretudo, aqueles que estão no grupo de risco".

"Nós ainda não temos uma avaliação de como os indígenas estão encarando essa realidade dentro de suas aldeias, dentro das organizações indígenas. A gente sabe que há uma preocupação muito grande de todos, sobretudo, dos que precisam ir para a cidade, dos que precisam ir para os centros urbanos e esse é o grande perigo, porque não temos como monitorar isso, não temos como fazer esse acompanhamento agora", diz.

Na última segunda-feira, 23 de março, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Augusto Xavier da Silva recuou da decisão anterior publicada no dia 19 de março que permitia o contato com indígenas isolados.

"Ficam suspensas todas as atividades que impliquem o contato com comunidades indígenas isoladas. O comando pode ser excepcionado caso a atividade seja essencial à sobrevivência do grupo isolado, conforme análise feita pela Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai", diz o documento.

A decisão anterior da Funai suspendia o trabalho de técnicos da Funai que lidam especificamente com isolados e passa às Coordenações Regionais (CR). A decisão contrariava, inclusive, o próprio regimento interno da Funai.

O Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus em Povos Indígenas da Funai afirma que "historicamente, observou-se maior vulnerabilidade biológica dos povos indígenas a viroses, em especial às infecções respiratórias. As epidemias e os elevados índices de mortalidade pelas doenças transmissíveis contribuíram de forma significativa na redução do número de indígenas que vivem no território brasileiro, estimadas em cerca de 5 milhões de pessoas no início do século XVII e no extermínio de povos inteiros. As doenças do aparelho respiratório ainda continuam sendo a principal causa de mortalidade infantil na população indígena", diz o documento.

Na análise, a Funai afirma que os indígenas isolados são os mais vulneráveis às doenças infectocontagiosas, assim, a pasta, com base na portaria 419/2020, suspende as autorizações de entrada nas Terras Indígenas devido à chegada do novo coronavírus no país.

O monitoramento é feito em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) por meio da rede de atuação de ambos os órgãos públicos indigenistas. Ao total são: 225 Coordenações Técnicas Locais; 39 Coordenações Regionais; 11 Frentes de Proteção Etnoambiental; 1.199 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI); 67 Casas de Apoio a Saúde Indígena (CASAI); e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

A Funai diz ainda que o plano de prevenção de indígenas contra a covid-19 em terras brasileiras prevê atenção diferenciada com base na diversidade sociocultural e nas particularidades epidemiológicas e logísticas dos povos, mas aponta desafios.

Entre eles, a aceitabilidade do deslocamento para estabelecimento de referência especializada e hospitalização por parte dos indígenas que residem em terras e territórios indígenas; o desejo de seguir o tratamento de saúde tradicional e manter-se próximo aos cuidadores tradicionais de sua comunidade; à falta de confiança ou descredibilidade no tratamento ofertado pela equipe de saúde; à sensação de isolamento dos demais membros da sua família e comunidade; o desconforto em relação às regras que são impostas nos estabelecimentos de saúde convencionais que conflitam com as práticas alimentares dos povos, cuidados corporais e espirituais; à ambiência inadequada, como a imposição de dormir em camas para indivíduos que são acostumados a dormirem somente em redes, entre outros. A Funai diz que a resistência, inclusive, é maior por parte dos idosos.

Essa adequação da Funai, por sua vez, precisa ser realizada junto aos planos de contingência dos municípios e estados brasileiros em colaboração com os DSEI "sempre que possível".

Segundo o último censo (2010), a população indígena no Brasil – que considerada pessoas que se declararam indígenas no quesito cor ou raça e para os residentes em Terras Indígenas – há 896 mil pessoas que se declaravam ou se consideravam indígenas, 572 mil ou 63,8 %, viviam na área rural e 517 mil, ou 57,5 %, moravam em Terras Indígenas oficialmente reconhecidas.

A Sesai, por sua vez, afirma que existem 6.238 aldeias indígenas , sendo que 114 deles são isolados e 20 povos de recente contato.

Sem orientação

Apesar das orientações da Funai, a indígena tupinambá Nice Gonçalves critica o protocolo, porque afirma que ele deveria ser diferenciado, uma vez que não há direcionamento de como os indígenas devem agir caso sejam infectados pelo coronavírus. Ela conta ainda que, antes mesmo do primeiro caso de coronavírus no Brasil, já tinha sido iniciado um diálogo sobre o assunto com diversas etnias para que eles se protegessem.

"Onde está chegando a informação, onde a gente está conseguindo orientar, eu creio que todas comunidades indígenas estão sabendo o que está ocorrendo", diz.

O genocídio indígena

O professor e historiador da Universidade Federal do Pará (UFPA), Márcio Couto Henrique explica que o historiador Alfred Crosby, defende o argumento de que além do imperialismo econômico, há o chamado imperialismo ecológico, ou seja, para além da exploração econômica ou europeus trouxeram um conjunto de elementos que foram fundamentais para o domínio e consolidação do domínio europeu na América.

"Os europeus trouxeram para cá também suas ervas, seus animais e as doenças. Esses elementos que não são propriamente de cunho econômico é o que ele chama de biota portátil [conjunto de todos seres vivos de um determinado ambiente ou de um determinado período], que veio para cá junto com a expansão europeia pelo mundo. De fato, essa biota portátil foi fundamental para desmobilização, desestruturação das populações indígenas não só Brasil, mas como na América", pontua.

Couto explica que as doenças mais fatais que atacaram Brasil e América a partir das expansões das grandes navegações foram as chamadas bexigas, uma denominação ao que hoje conhecemos por varicela, rubéola e sobretudo a varíola.

"A varíola, especialmente, foi crucial para a extinção de várias populações indígenas aqui na Amazônia, especialmente, no século XVII e esse poder destruidor entre os índios de baixa imunidade foi tão forte na memória indígena, que os indígenas criaram um nome para definir essa doença que eles chamaram de catapora, que literalmente significa fogo que salta. Fogo que salta é uma referência às fortes febres que caracterizavam e caracterizam ainda hoje, entre nós, a catapora. No século XVII nós tivemos aqui na Amazônia uma série de epidemias que massacraram centenas de milhares de pessoas de origem indígena", afirma.

por Redação - Central Única dos Trabalhadores. 

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Discurso de Bolsonaro vai contra recomendações da OMS

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“O povo tem que parar de deixar tudo nas costas do poder público”, essa foi uma das falas do presidente Jair Bolsonaro à respeito da pandemia do Covid-19. Em pronunciamento recente, Bolsonaro defendeu o “isolamento vertical”, reservado apenas para idosos e outros grupos de risco.

A fala do presidente representa o oposto do que a maioria dos países estão lutando para fazer, o isolamento total. Apesar do Coronavírus ser mais fatal apenas para pessoas que estão em grupos de risco, os mais jovens são os responsáveis por transmitir os vírus.

Em uma de suas falas, Bolsonaro defende que escolas não deveriam ser paralisadas. pois apenas crianças frequentam o ambiente. No entanto, é justamente esse grupo, que quando contaminado quase sempre é assintomático, um dos vetores silenciosos do vírus.

A fala de Bolsonaro é, em diversos pontos, irresponsável e suas recomendações apresentam um perigo para sociedade brasileira, assim como seu governo como um todo.

Em tempos complicados como o que o Brasil passa, o SINTPq gostaria de deixar aqui a recomendação para que, aqueles que podem, fiquem em casa o máximo possível. Em caso de dúvidas, procure veículos seguros para se informar e siga as recomendações de órgãos sérios, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com cautela, responsabilidade e empatia, o povo Brasileiro vai atravessar a pandemia, mesmo tendo que lutar simultaneamente contra um governo instável e inconsequente.

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EUA podem ser novo epicentro da pandemia de coronavírus, alerta a OMS

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Os Estados Unidos, onde o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus aumenta exponencialmente, poderão ultrapassar em breve a Europa e se tornar o epicentro da pandemia, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira 24.

A pandemia de covid-19 eclodiu em dezembro na China antes de se espalhar para a Europa, agora o continente mais afetado, mas a disseminação da doença nos Estados Unidos poderá tornar o país o novo epicentro, disse Margaret Harris, porta-voz da OMS.

“Estamos vendo uma aceleração muito forte no número de casos nos Estados Unidos. Não podemos dizer que o país já se tornou o novo epicentro, mas existe a possibilidade”, insistiu.

De acordo com o último relatório diário da OMS publicado na segunda-feira à noite, os Estados Unidos viram os números de pessoas contaminadas e de mortes dobrarem em 24 horas (31.573 casos de infecção e 402 mortes).

No mesmo intervalo, a Europa registrou 20.131 novos casos e 1.318 mortes, num total de 171.424 casos e 8.743 mortes.

A aceleração da doença nos Estados Unidos pode ser explicada por uma melhor triagem e também reflete a alta taxa de transmissão antes da implementação de medidas de contenção mais rigorosas.

“O contágio por cada indivíduo de duas ou três pessoas leva de três a cinco dias”, explicou Margaret Harris. “Nos Estados Unidos, há uma semana, havia muitas transmissões”, ressaltou.

Embora seja esperado um aumento considerável no número de casos em todo o mundo nos próximos dias, a OMS diz que vê “sinais positivos muito precoces em certos países europeus que conseguiram convencer suas populações a respeitar a distância física”, afirmou a porta-voz da organização.

Na Itália, por exemplo, o país mais afetado depois da China, com 63.927 casos, segundo a AFP, as autoridades de saúde estão registrando um declínio no número de novos casos e no número de mortes.

 

por Redação - Carta Capital. 

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Medida Provisória aprovada por Bolsonaro preocupa os trabalhadores

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Na noite de domingo (22), o Presidente Jair Bolsonaro anunciou em edição extra do Diário Oficial da União uma medida provisória (MP) que permite que os contratos de trabalho sejam suspensos por 4 meses, durante o período de calamidade pública, que foi decretado na última sexta-feira (20).

Como toda MP, esta medida será legalmente válida por 60 dias, podendo ou não ser renovada após esse período. No documento, o empregador é obrigado a fornecer cursos online para o empregado, os benefícios serão mantidos e o trabalhador está liberado de suas funções. Entretanto, qualquer recompensa financeira será dada de acordo com o combinado individual entre empregador e empregado.

O SINTPq, assim como todas as entidades sérias que se preocupem com os trabalhadores, repudia a medida de Bolsonaro, acreditando que além de ser um ataque contra os trabalhadores, é também um ataque contra o bem estar social.

Como defesa para suas decisões, o Presidente justifica que a MP é “uma forma de preservar os empregos”. Entretanto, a fala vai contra as medidas que tem sido tomadas por outros governantes do mundo.

Em outros países, os governos têm buscado proteger os direitos trabalhistas mesmo em meio a crise global de saúde que tem se agravado desde o ínicio do ano. Veja abaixo dois casos:

Venezuela: será permitido home office para os trabalhadores que puderem realizar a atividade, o Estado vai se encarregar de pagar os salários de funcionários do setor privado e público por 6 meses, também estão proibidas demissões até o dia 31 de dezembro de 2020.

Estados Unidos: o governo estuda fazer um pagamento de US$ 1.000,00 diretamente para os trabalhadores, isentar trabalhadores informais de impostos, além disso, eles também pretendem dar licença remunerada para trabalhadores contaminados ou em quarentena de empresas com mais de 500 funcionários e para os que precisam cuidar de crianças após o fechamento das escolas.

Os dois países citados acima, apesar de possuírem diversas diferenças econômicas e políticas, mostram um ponto em comum ao optarem em proteger a economia através da manutenção dos empregos. O Brasil, na contramão dessa lógica, entrega os trabalhadores nas mãos dos empregadores para que eles decidam as condições de vida de seus funcionários.

A diretora de comunicação do SINTPq, Filó Santos, comenta que “a medida do governo é altamente irresponsável e catastrófica, nós trabalhadores estamos tentando garantir o pagamento de serviços por nós contratados, como por exemplo, as diaristas, além de outros serviços, além de todas as contas que continuarão nos sendo cobradas. Imagine o efeito em cascata que os cortes de salários irão provocar”.

É importante que os trabalhadores, e a sociedade como um todo, se mantenham atentos às medidas que serão tomadas daqui para frente. Se a crise econômica não foi o suficiente para que o brasileiro conhecesse seu governo, a pandemia irá mostrar a verdadeira cara e intenção dos políticos que estão no poder. Lembrar das atitudes tomadas em momento difíceis como esse, será importante para o futuro do nosso país. Além das atitudes do presidente, é importante que o povo brasileiro se mantenha atento a quem o apoiou e a quem se calou enquanto Bolsonaro condenava os trabalhadores do Brasil à miséria.

Notando a situação delicada dos trabalhadores e trabalhadoras, o SINTPq vai atuar como um meio de interlocução que os auxiliem durante esse período difícil que está por vir. Os trabalhadores podem (e devem) recorrer ao sindicato para tirar dúvidas e pedir ajuda caso sintam que a empresa está negligenciando seus direitos.

Para ajudar na relação com as empresas, o SINTPq se dispõe a negociar férias coletivas, jornadas em home office e uso do banco de horas para amenizar os prejuízos que essa situação trará para todos.

Em nota pública, a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), representante de quase 4 mil magistrados e magistradas do Trabalho de todo o Brasil, manifestou seu veemente e absoluto repúdio à Medida Provisória nº 927/2020.

Nota na íntegra.

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Bolsonaro autoriza que empresas deixem de pagar funcionários por 4 meses

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Publicada no Diário Oficial da União na noite deste domingo 22, a medida faz parte do conjunto de ações do governo federal para combater os efeitos econômicos da pandemia.

Durante este período, o empregado deixa de trabalhar, assim como o empregador não pagará salário. Segundo o texto, a empresa “poderá conceder ao empregado ajuda compensatória mensal” com valor negociado entre as partes.

A MP preservou os direitos previstos na Constituição, mas determina que a negociação individual ficará acima de acordos coletivos e da lei trabalhista. A empresa é obrigada a oferecer curso de qualificação online ao trabalhador e a manter benefícios, como plano de saúde.

Como se trata de uma medida provisória, o texto passa a valer imediatamente, mas ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional no prazo de até 120 dias para não perder a validade.

A MP também garante o trabalho à distância, como home office, antecipação de férias individuais, concessão de férias coletivas, aproveitamento e antecipação de feriados, banco de horas, suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho, direcionamento do trabalhador para qualificação e adiamento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Já para trabalhadores da área de saúde e serviços considerados essenciais, as férias podem ser suspensas.

por Redação - Carta Capital

 

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Governo aposta na redução de salários e direitos para contornar impactos do coronavírus

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A pandemia de coronavírus escancara a importância de um Estado social que coordene esforços no combate à doença, com ações voltadas para garantir a sobrevivência digna das pessoas em período de isolamento. No entanto, o governo Bolsonaro avança com iniciativas que precarizam ainda mais os vínculos trabalhistas. “É apostar na barbárie e no caos. É uma escolha política, que não precisava ser essa”, denuncia a presidenta da Associação Juízes para a Democracia (AJD), Valdete Souto Severo.

Entre as medidas que vão na contramão do que seria necessário em tempos de crise, ela cita o avanço na aprovação da Medida Provisória (MP) 905, que institui a chamada carteira verde e amarela para jovens à procura do primeiro emprego, com vínculos ainda mais precários.

Outra ação criticada é a proposta de reduzir em 50% jornadas e salários dos trabalhadores com carteira como forma de reduzir os prejuízos das empresas. “Os trabalhadores com vínculo, em vez de terem seus direitos garantidos, estão diante de um governo que quer precarizar ainda mais”, disse ela ao jornalista Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (20).

Deboche

Para os cerca de 40% dos trabalhadores informais, que estão com suas atividades ainda mais comprometidas, o governo vai oferecer ajuda de R$ 200 pelos próximos dois meses. Para Valdete, trata-se de um “deboche” com essa parcela da população. “Não é possível, sequer, fazer uma compra semanal para uma família de quatro ou cinco pessoas com esse valor.”

PME

Além da proposta de redução de salários e jornadas, que deve beneficiar as grandes empresas, a equipe econômica do governo Bolsonaro também afirmou que deve sair em socorro das companhias aéreas. Já para as pequenas e médias empresas (PME), responsáveis pela maior parte dos empregos no país, não houve nenhuma ação específica para conter os impactos da crise.

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Confira como os trabalhadores podem ser amparados no enfrentamento ao coronavírus

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O novo coronavírus (Covid-19) tem afetado a saúde, o trabalho, a vida e a rotina de milhares de pessoas, trabalhadores, aposentados e a sociedade em geral, no mundo. De acordo com as informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o planeta, já são mais de 207.855 casos confirmados e mais de dez mil mortes em 166 países. No Brasil, segundo último boletim do Ministério da Saúde, já são 428 pessoas infectadas, 7 mortas e 11,2 mil casos suspeitos.

A velocidade da disseminação do vírus levou vários países a tomar medidas drásticas para evitar a proliferação e a super lotação do sistema de saúde. No Brasil, muitos trabalhadores e trabalhadoras estão trabalhando remotamente, empresas estão dando férias coletivas, folgas e os governos têm cancelado transportes públicos, fechado escolas, teatros, entre outros locais que tenham aglomerações.

Com tudo isso, muitas dúvidas trabalhistas, como que direito tem o trabalhador em quarentena, estão surgindo e o Portal CUT decidiu entrevistar dois especialistas que estão estudando leis e possibilidades para garantir o proteção aos trabalhadores e trabalhadoras do país.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o advogado e mestre em Direito do Trabalho, Dr. Fernando José, e o mestre em Direito e professor de Direito do Trabalho em Brasília, José Eymard Loguercio, sócios da LBS: 

Portal CUT: Como os trabalhadores e as trabalhadoras brasileiras estão amparados pela Lei 13.979, sancionada em 6 de fevereiro de 2020, que implantou medidas específicas para enfrentar a pandemia do novo Coronavírus?

Dr. Fernando: Sem prejuízo salarial, os trabalhadores ou as trabalhadoras de quarentena ou em isolamento estão amparados pela Lei 13. 979 de 2020, porque foi uma das medidas tomadas para o enfrentamento da emergência de saúde pública, de importância internacional decorrente do coronavírus. O artigo 3º do terceiro parágrafo da Lei consta expressamente que o trabalhador ou trabalhadora que não trabalhar em decorrência destas condições [quarentena ou isolamento] terá falta justificada, tanto para serviço público ou atividade laboral privada.

PC: E qual é a diferença entre isolamento e quarentena?

Dr. Fernando: O isolamento é definido como separação de pessoas doentes ou contaminadas e também de bagagens, meio de transporte, encomendas postais para evitar a contaminação ou a propagação do coronavírus. A quarentena é a restrição de atividades ou separação de pessoas suspeitas de contaminação, que não estejam doentes, e também de bagagens, meio de transporte, encomendas postais, entre outros, que possam ser possibilidades de contágio. 

PC: Pela legislação trabalhista, a partir do 15º dia de afastamento o INSS se responsabiliza pelo pagamento dos trabalhadores com carteira assinada, essa lei atual muda alguma coisa neste sentido?

Dr. Fernando: Não altera! A lei previdenciária continua valendo, mas o auxílio-doença é para a pessoa doente ou impossibilitada de trabalhar e não prevê para quem está fora dessa situação. Por isso existe uma proteção na lei do coronavírus, mas não prevê quem vai se responsabilizar economicamente.

PC: E os trabalhadores e as trabalhadoras que por precaução resolvam fazer a quarentena, mas não estão infectados, também estão protegidos na Lei?

Dr. Fernando: Na legislação nenhum trabalhador pode sofrer prejuízos, mas não fala quem vai pagar esse prejuízo se é o empregador ou o estado.

PC: E os trabalhadores informais? O que está previsto para eles?

Dr. Fernando: Quem não faz nenhum tipo de recolhimento não terá nenhum benefício previdenciário. O informal não tem como pleitear do empregador, porque não tem empregador e aí dependerá de alguma outra medida do Estado. Hoje não tem nenhuma previsão na legislação e a situação de informalidade é de desproteção até que venha alguma medida para esses trabalhadores sem amparo.

PC: Quando as empresas decidem, por medidas de prevenção, afastar os trabalhadores para o trabalho remoto, eles estão protegidos por lei também? Quem são responsáveis pelo custo do trabalho, como computadores, energia, internet e outros? E quem não tem estrutura?

Dr. Fernando: O trabalho remoto, depois da reforma Trabalhista, está previsto no art. 75-A até E na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), chamado de teletrabalho, e é a melhor medida a ser implantada para precaver a proliferação do coronavírus. Só que a empresa tem que oferecer condição para o trabalhador realizar este trabalho remoto, pagando internet, por exemplo, e se ele não tiver condições a empresa tem que dar. Toda estrutura deverá ser oferecida pela empresa, o trabalhador não é obrigado ter essa estrutura em casa.

PC: As empresas podem dar férias coletivas, recesso, rodízio de funcionários para evitar a proliferação do vírus? O que os trabalhadores precisam se atentar com estas medidas?

Dr. Fernando: Sim, segundo a legislação as empresas podem conceder férias individuais ou coletivas. E para os trabalhadores e trabalhadoras, no momento, para dar segurança jurídica às empresas e proteção trabalhista para os que não poderão se deslocar até o trabalho, seria importante uma negociação coletiva entre os sindicatos e empresas.

PC: E os autônomos, os Micro Empreendedor Individual (MEI)? Quais são as garantias deles?

Dr. José Eymard: Essa é uma grande preocupação. Esses trabalhadores não têm garantias de férias, 13º salário e nem mesmo assegurada pela legislação alguma proteção previdenciária em caso de doença ou afastamento. Esses são alguns dos problemas gerados pelas reformas trabalhistas que ampliaram as formas precárias de trabalho, chamando-os de “empreendedores” e ampliando contratos de falsos autônomos ou trabalhadores de aplicativos.

PC: Isso vale também para outros tipos de contrato, como os intermitentes?

Dr. José Eymard: Isso também ocorre com os trabalhadores e, especialmente, com as trabalhadoras de contratos intermitentes. Para protegê-los a legislação terá que criar outros mecanismos.

PC: Qual a importância dos sindicatos neste momento? Tem alguns bons exemplos para dar sobre isso? O que eles podem fazer?

Dr. José Eymard: Os sindicatos são sempre fundamentais. Mas nesse momento todos os trabalhadores assalariados contam com a possibilidade de uma proteção jurídica por meio dos acordos coletivos e convenções coletivas. Alguns sindicatos já procuraram o setor patronal para definir trabalho em home-office, tele trabalho, férias coletivas, mecanismos de ausências remuneradas e outras situações que devem e podem ser regulada por acordos. Os bancários, por exemplo, têm na convenção coletiva de trabalho da categoria que nos afastamentos após 15 dias, ainda que o INSS não tenha pago o benefício, que o banco paga o salário e depois faz o ressarcimento com o INSS. Isso é uma importante garantia nesse momento. Os sindicatos precisam se comunicar com os trabalhadores para mostrar que a importância da negociação e da regulação sindical para proteger os trabalhadores e trabalhadoras.

PC: A CUT e as Centrais foram até o presidente da câmara, Rodrigo Maia, exigirem um fundo para garantir emprego e renda durante a pandemia, isso pode ser possível?

Dr. José Eymard: As Centrais estão preocupadas com os trabalhadores assalariados, servidores públicos mas, especialmente, com todos aqueles que estão fora da regulação e proteção legais como os falsos autônomos, os trabalhadores de aplicativos, os MEI e os chamados “informais”. Por isso estão buscando alternativas legislativas para que todos possam ter uma renda mínima pelo período mais crítico que se avizinha. São esses trabalhadores e trabalhadoras que mais poderão sofrer, por estarem mais vulneráveis. A existência de um fundo e de mecanismos de assistência para todos os segurados do INSS são fundamentais.

por Redação - Central Única dos Trabalhadores 

 

 

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Cientistas da USP trabalham no desenvolvimento de vacina contra coronavírus

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) começaram a trabalhar no desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírus (Covid-19). Apesar de os testes ainda não terem começado, a expectativa é de que isso possa acontecer dentro de alguns meses.

O professor Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP, explica que a vacina tem como objetivo ser uma resposta rápida contra o vírus, possibilitando a criação dos anticorpos necessários.

O método de desenvolvimento se dá a partir da criação de uma partícula similar ao coronavírus, o VLP (virus-like particle, em inglês). “O nosso projeto se propõe a fazer uma partícula semelhante ao vírus, ela terá a estrutura do vírus, mas oco, sem ter a possibilidade de ser contagioso e se multiplicar”, explica Kalil.

“Quando construímos esse vírus, colocamos alguns pedaços do coronavírus que são importantes para desencadear uma forte resposta no indivíduo que recebe a vacina e criar anticorpo bloqueador. A gente quer induzir os anticorpos através de partículas que parecem o vírus, mas só tem segmentos do coronavírus”, afirma ao Jornal da USP.

A vacina em desenvolvimento no Brasil é diferente da que já está sendo testada nos Estados Unidos. Os pesquisadores norte-americanos utilizaram a tecnologia mRNA, que insere na vacina uma partícula sintética do RNA mensageiro do vírus e, então, é injetada no organismo humano e instruída a produzir proteínas que possam ser reconhecidas pelo sistema imunológico.

De acordo com o professor da USP, as vacinas com VLP já possuem histórico de uso, como no papiloma vírus – o HPV. As respostas tendem a ser mais robustas, enquanto a utilização da mRNA gera respostas mais tímidas.

A China também começou a testar em humanos uma possível vacina contra o coronavírus. Os cientistas da Academia de Ciências Médicas Militares da China receberam a aprovação para iniciar os ensaios clínicos em estágio inicial da potencial vacina.

A vacina foi desenvolvida pela equipe da epidemiologista Chen Wei, de acordo com padrões internacionais e regulações locais chinesas. À emissora estatal CCTV, ela afirmou que esta é a “arma científica mais poderosa” para combater o coronavírus, e que ser o primeiro país a desenvolver a vacina demonstraria o “progresso da ciência chinesa”. 

por Redação - Rede Brasil Atual

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Teto de Gastos inviabiliza combate adequado ao coronavírus e seus impactos na economia

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Enquanto a União Europeia decidiu ativar um Fundo de 25 bilhões de euros, sendo 7,5 bilhões liberados imediatamente, para socorrer os problemas de liquidez das empresas causados pela pandemia do novo coronavírus (Covid- 19), o governo brasileiro liderado pela dupla Jair Bolsonaro (sem partido)/Paulo Guedes, ministro da Economia sequer admite a possibilidade de acabar, nem que seja momentaneamente, com a Emenda Constitucional nº 95 (EC do Teto dos Gastos Públicos), que congelou investimentos públicos por 20 anos.

Os governos da Europa liberaram dinheiro para pagar compromissos, inclusive salários, apoiar o sistema de saúde e proteger as ocupações dos trabalhadores. Já o governo brasileiro ignora os efeitos da EC 95, que afeta principalmente áreas como saúde e educação.

O corte nos recursos compromete o sistema de saúde a ponto de interferir nas condições de infraestrutura da rede de serviços, precariza as condições e relações de trabalho e prejudica o prosseguimento de programas e políticas fundamentais para a preservação da saúde do brasileiro, afirma a secretária-adjunta de Finanças da CUT, Maria Aparecida Faria.

“Derrubar a emenda 95 é primordial para termos um SUS [Sistema Único de Saúde ] que atenda as necessidades do povo brasileiro. A crise provocada pelo novo coronavírus  demonstra claramente que quem tem condições de dar a resposta que a população precisa é o SUS”, diz Maria que também é secretaria de Administração e Finanças do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP).

  • O setor privado não está preparado e qualificado para atender uma pandemia porque não se interessa, por não dar lucro. O atendimento ‘cai no colo’ do SUS e, por isso é obrigação do governo brasileiro voltar a investir na saúde pública - Maria Aparecida Faria

De acordo com a dirigente, a responsabilidade do governo Bolsonaro, além de rever o Teto de Gastos, é mudar sua concepção do papel do Estado, de que não é preciso investir na área social.

“O papel do Estado - dos governos federal, estaduais e municipais - é proteger a população. Portanto, os brasileiros têm que se conscientizar que é um direito cobrar investimento em políticas públicas e no nosso sistema de saúde gratuito, que o mundo inteiro referencia, menos o Brasil”, afirma.

Propostas para enfrentar a crise econômica  

Ao analisar os efeitos do coronavírus na economia mundial e no Brasil, o  técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, propõe, além do fim do Teto dos Gastos Públicos, algumas medidas econômicas, todas com impactos para preservar empregos e renda, para evitar que o problema de saúde mundial atinja ainda mais a já frágil economia brasileira.

De acordo com Clemente, além de um investimento estrutural para rodar a economia existem problemas que precisam ser sanados para a economia do país sair deste buraco, que são:

1- Investimento público - recurso usado com inteligência estratégica para realizar obras relevantes para a infraestrutura econômica e social, gerando empregos:

  • • Retomada imediata das milhares de obras paradas, investimentos em infraestrutura econômica e social.
  • • Reverter o desmonte do BNDES e recolocá-lo como banco voltado para o desenvolvimento produtivo, priorizando empréstimos para projetos de investimento em execução.
  • • Implantar imediatamente os novos projetos de investimentos prontos para execução, em espacial na construção habitacional, que devem ser ampliados.
  • • Criar força tarefa no Congresso para dar uma solução definitiva aos acordos de leniência, liberando as empresas para retomarem atividades produtivas, os empregos e a capacidade da engenharia nacional estruturar competência para o desenvolvimento do país.
  • • Recolocar a centralidade das atividades produtivas das estatais, em especial dos investimentos estruturantes de cadeias produtivas em infraestrutura econômica e dos fornecedores, em especial, de engenharia.
  • • Reestruturar os investimentos produtivos públicos e privados para o fornecimento de insumos para a produção de alimentos.
  1. Liquidez, a depender dos impactos sistêmicos na vida das pessoas e empresas:
  • • Liberar recursos com taxas de juros especiais para a liquidez das empresas, vinculado à preservação dos empregos.
  • • Criar medidas para suspensão temporária da cobrança de taxas de serviços públicos.
  • • Criar mecanismos para a reorganização das dívidas das pessoas e famílias, incluindo financiamento habitacional.
  1. Preservar empregos e renda:
  • • Liberar recursos para as cidades e estados realizarem atividades geradoras de empregos imediatamente para as múltiplas atividades, tais como: inúmeros tipos de reparos urbanos; reforma e construção de equipamentos e de instalações (posto de saúde, escola, segurança, etc.), limpeza urbana; cuidados ambientais; cuidados com a saúde e educação; cuidados assistenciais para crianças, idosos e doentes, entre outras inciativas.
  • • Ampliar imediatamente o seguro-desemprego para 7 parcelas e analisar a sua extensão em função dos impactos.
  • • Liberar a fila do INSS garantindo aos aposentados o acesso aos benefícios para quase 2 milhões de solicitações.
  • • Recolocar os beneficiários excluídos do bolsa-família e incluir os novos requerentes que são hoje cerca de 3,5 milhões de pessoas;
  • • Aplicar um abono salarial para o salário mínimo e indicar a retomada da sua valorização.
  • • Revitalizar o PPA – Programa de Aquisição de Alimentos e o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar.
  • • Recolocar ativo o PPE – Programa de Proteção dos Empregos.
  • • Incentivar acordos sindicais que preservem os empregos, inclusive com o uso do PPE.
  • • Facilitar o acesso ao afastamento saúde para os assalariados e criar um abono saúde emergencial para os trabalhadores não assalariados afetados pelo vírus.

Outras medidas:

  • • Petrobrás ampliar o refino segundo sua capacidade produtiva instalada, diminuindo importação.
  • • Rever o preço do botijão de gás para R$ 40,00 ou menos.
  • • Revisão imediata da Lei do Teto de Gasto, liberando investimentos e gastos sociais orientandos para o enfrentamento da crise.
  • • Suspender a tramitação de projetos que criam restrições fiscais e limitam a atuação do Estado.

“Essas, entre outras medidas que poderão ser criadas, exigem ação tempestiva. O Congresso poderia criar um Comitê, incluindo as organizações dos empresários e dos trabalhadores, para monitorar e debater iniciativas”, acredita Clemente.

por Redação - Central Única dos Trabalhadores

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Reunião no dia 12/03 inicia coletivo de mulheres no SINTPq

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Enquanto mulher, o que te angustia? O que te incomoda no sexo oposto? O que fazer quando a convivência se torna complicada? Como pedir ajuda?

Essas são algumas das questões que o coletivo de mulheres “O Problema Não Sou Eu” visa debater. O objetivo das reuniões é criar um espaço em que as mulheres possam desabafar sobre as situações diárias que as oprimem e notar que não estão sozinhas nessa luta.

Filó Santos, diretora do SINTPq, vai guiar a conversa e compartilhar com a roda suas experiências pessoais sobre como ela encontrou no diálogo conjunto a força para se posicionar frente às situações como a dupla jornada de trabalho, reprodução de pensamentos retrógrados, piadas invasivas e atitudes misóginas.

O convite é aberto para que as participantes tragam suas amigas, irmãs, mães e companheiras. O SINTPq espera que esse seja um espaço seguro e confortável para que todas as mulheres interessadas possam se ajudar.

A reunião no dia 12, uma quinta-feira, começa às 18h, no auditório do SINTPq, localizado na Av. Esther Moretzshon Camargo, 61 - Jardim Santana, Campinas.

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Manifestações em Campinas e SP marcam o 8 de março. Confira a agenda

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O Dia Internacional da Mulher será novamente uma data de luta em 2020! Manifestações já estão programadas para Campinas e São Paulo. A pauta dos atos combate as políticas e declarações machistas do governo Bolsonaro e todas as formas de violência contra a mulher. Os movimentos também exigem respeito à democracia e aos direitos sociais e exigem justiça para Marielle Franco, cuja morte segue impune.

As manifestações reunirão coletivos de mulheres, movimentos sociais, entidades sindicais e milhares de pessoas dispostas a enfrentar a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher. Acompanhe abaixo os locais e horário.

Campinas
Dia 7 de março
A partir das 9h
Concentração no Largo do Rosário – Centro

São Paulo
Dia 8 de março
A partir das 14h
Concentração na Av. Paulista, 1853 (Parque Mario Covas), duas quadras a frente do MASP

Além de Campinas e São Paulo, mobilizações ocorrerão em todo o país. Confira as ações programadas no resumo a seguir.

Amazonas
As mulheres do Amazonas farão um ato unificado com o mote “Mulher, Democracia, Paz e Trabalho”. O protesto acontecerá no dia 6, a partir das 14 horas, no Largo São Sebastião que fica na Zona Franca, em Manaus.

Alagoas
O mote das alagoanas é “Mulheres na Luta por Territórios Livres e Corpos Vivos”. O lema delas remete ao grito das trabalhadoras em defesa dos territórios soberanos, plenos em direitos, em respeito aos modos de vida construídos no campo, na floresta e nas águas. Elas farão uma roda de conversa sobre o lançamento da semente de criola, a partir das 9 horas, na Praça Centenária, no centro de Maceió. E às 15 horas, as trabalhadoras participarão de um ato público e atividade cultural na praia de Pajuçara.

Amapá
Com o mote “Manas na Luta contra Bolsonaro, Machismo, Feminicídio e a Violência Obstétrica”, as mulheres do Amapá estão convocando todas e todos para um ato público na Praça Floriano Peixoto, em Macapá, a partir das 15 horas. Durante a mobilização acontecerão outras atividades, como feirinha das manas, roda de conversa com o tema “saber amar é saber respeitar”, declaração de poesias, dança circular em torno de um útero, distribuição de panfletos, duas unidades móveis ofertando serviços psicossocial e jurídico, varal de fotografias de lutas das mulheres amapaenses e cirando materna com roda de conversa sobre violência obstétrica.

Bahia
A partir das 9 horas, as baianas vão se concentrar no monumento do Cristo da Barra para uma caminhada, no qual o percurso só será decidido em assembleia no local. Depois elas farão um ato público.

Brasília
Com o slogan “Pela Vida das Mulheres, contra o Racismo, o Machismo e o Fascismo”, as trabalhadoras do Distrito Federal vão denunciar a ausência de Políticas Públicas no Estado numa marcha que sairá do Parque da Cidade às 9 horas. Elas vão passar por Buriti e terminar no Espaço Funarte, ao lado da torre de TV, com um festival cultural.

As mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que estarão reunidas em Brasília, também vão participar da mobilização. A concentração está marcada para as 8h.

Ceará
Na capital cearense, em Fortaleza, o ato unificado será na Praia de Iracema, a partir das 13 horas na Rua Dragão do Mar, 81.

Espírito Santo
No Espírito Santo o ato será antecipado. No dia 6 de março, uma caminhada está prevista para acontecer a partir das 15 horas. Com o mote “Basta de Violências! Mulheres nas Ruas por Direitos”, a marcha terá concentração em frente a Casa Porto das Artes Plásticas e a Defensoria Publica, na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitoria.

Goiás
Também no dia 6, as trabalhadoras de Goiás farão uma roda de conversa na sede da CUT com a escritora Cidina da Silva. E no dia 8, a partir das 9 horas, as mulheres farão um ato na Praça dos Trabalhadores com homenagens, exposições e panfletagens.

Maranhão
A CUT e demais centrais sindicais definiram que o ato será no dia 09/03 na Praça Deodoro e seguem em caminhada até o Centro Histórico na Beira-Mar, onde haverá atrações culturais

Mato Grosso
Mulheres da CUT estadual, dos movimentos sociais, feministas e dos coletivos de combate ao racismo irão fazer, a partir das 16 horas, um ato político e cultural na praça do bairro mais violento de Cuiabá, Pedra 90.

Mato Grosso do Sul
A programação de protestos das mulheres no Mato Grosso do Sul contra o feminicídio também vai começar antes. No dia 6 está agendado um seminário sobre o tema na sede da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) e a noite acontecerá um show com a atriz e cantora, Letícia Sabatela. No dia seguinte, (7/3), terá um abraço simbólico em torno da Casa da Mulher Brasileira em protesto contra o investimento zero na área. Já no dia 8, as mulheres do Mato Grosso do Sul farão um ato na Feira do Guanandy, no centro de Campo Grande.

Minas Gerais
Com o tema “Só da Luta Brota Liberdade”, a CUT Minas Gerais, sindicatos, Marcha Mundial de Mulheres, mulheres dos blocos de Carnaval, Frente Brasil Popular e os movimentos sindical e sociais vão se unir no próximo dia 8 para reivindicar educação e soberania nacional. Além disso, as mineiras vão denunciar o desmonte das estatais, a precarização dos serviços públicos, do trabalho, a mineiração em Minas, a apropriação privada de territórios e recursos naturais, a falta de emprego, de moradia e a precaridade na infraestrutura urbana, como transporte, saneamento, entre outras. A concentração será às 9 horas em frente à Ocupação Pátria Livre – Rua Pedro Lessa, 435, bairro Santo André, Pedreira Prado Lopes - e de lá as manifestantes caminharão até a Praça Sete, Centro de Belo Horizonte, onde se unirão em outro ato, que seguirá pela tarde.

Pará
Em Belém, o ato público “Mulheres da Amazônia Contra Violências Dizemos Não a Bolsonaro” começará partir das 9h no Ver-o-Peso, local turístico na orla.

Paraíba
No Dia Internacional da Mulher na Paraíba, terá um ato unificado com o movimento de mulheres por volta das 14 horas, na Praia de Cabo Branco, em João Pessoa. A partir das 8 horas no dia 12, na cidade de Esperança, as paraibanas também estão organizando com as trabalhadoras rurais do Polo de Borborema uma Marcha pela Vida das Mulheres e Pela Agroecologia. E no dia 14, em Campina Grande, um ato está programado para acontecer na Praça da Bandeira, ainda sem horário confirmado.

Paraná
As paranaenses estão organizando dois atos. Um em Maringá, no dia 8, a partir das 10 horas, no Parque do Ingá. De lá sairão em caminhada até o Fórum de Justiça, onde farão protestos com cruzes e calçados femininos.

Em Curitiba, a Frente Feminista de Curitiba e Região Metropolitana está organizando uma marcha “Mulheres da Favela Exigem Paz”, que acontecerá em quatro pontos na periferia. O primeiro será uma denúncia da violência que atinge a favela será a partir das 8 horas da manhã no Bairro de Parolin, em frente ao Residencial Araguai, na Rua Santa Zita nº 281.

A exploração do trabalho será denunciada em frente ao Supermercado Extra, na Avenida Kennedy. A mobilização “Educação e Moradia” vai acontecer em frente à escola municipal da Lamenha Lins e no final da marcha as mulheres vão falar sobre a Paz que querem e como vão construí-la com a participação da Bloca Feministra “Ela Pode/Ela Vai. A previsão do fim da marcha é 12h.

Pernambuco
O ato “Feministas contra Violência do Estado Racista, Patriarcal e Capitalista” acontecerá no dia 9, a partir do dia 9, no Parque 13 de maio, em Recife. Também estão previstas ações descentralizadas no domingo, dia 8, e no sábado, dia 14.

Piauí
As piauienses farão mobilizações nos dias 6,7, 8 e 9. No dia 6 terá uma performance no bairro Itararé, na Praça dos Correios, a partir das 7h30. No dia 7, as mulheres farão uma roda de conversa no Parque da Cidadania, a partir das 16 horas e no dia 8 terá um ato no Mercado Parque Piauí, a partir das 8 horas. No dia 9 outro ato está previsto, a partir das 8h30, na Frei Serafim.

Rio de Janeiro
As mulheres do Rio de Janeiro farão a mobilização do Dia Internacional da Mulher no dia 9. Com o mote “Pela Vida de Todas as Mulheres, Por Democracia e Contra Retirada de Direitos! Um Rio de Coragem Feminista Contra Violência e os Governos Fascistas”, o ato das mulheres começará às 17h e a concentração será na Candelária.

Rio Grande do Norte
A programação completa do Dia Internacional das Mulheres no Estado ainda não está completa. Atos ainda estão sendo organizados, no entanto o ato principal “Mulheres em Resistência: Pela Vida e Por Direitos” vai começar às 8 horas da manhã na Praça das Flores, em Natal. Elas sairão em caminhada e vão até a Praça dos Pescadores.

Rio Grande do Sul
Atos descentralizados acontecerão no Estado no dia 8 e na Capital terá uma mobilização na orla do Lago Guaíba, com panfletagem das 10h às 13h. O ponto de encontro será na Usina do Gasômetro. Também haverá apresentação de Blocos Carnavalescos. No dia 9, a partir das 17 horas, terá a Marcha "Pela Vida das Mulheres, Contra as Violências, Por Empregos, Salários e Aposentadorias; Fora Bolsonaro, Governador Eduardo Leite e Prefeito Marchezan. A concentração será no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre. Durante todo o dia aconterá atividades e panfletagem.

Rondônia
As mulheres de Rondônia ainda estão se organizando para o ato do dia 8 e por enquanto não há informações.

Roraima
Em Roraima acontecerá um debate sobre violência contra mulher no dia 6, com presença da Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista.

Santa Catarina
Com o mote “Precisamos falar sobre Mulheres”, a mobilização das trabalhadoras catarinenses será descentralizada.

No município de Caçados, no dia 7, a partir das 9 horas, acontecerá o ato das mulheres trabalhadoras no Largo Cassanjure. Também terá roda de conversa, debates relacionados à mulher, distribuição de batons com frases de empoderamento feminino e de uma cartilha informativa. As musicas que vão tocar no ato serão todas que lembram as conquistas das mulheres.

Em Blumenau, a Marcha das Mulheres Trabalhadoras acontecerá no dia 7, a partir das 9 horas, na Praça Dr. Blumenau e das 14 horas às 17h, será realizada uma Ação Social com serviços de saúde, atividades culturais e rodas de conversas na Praça José Manoel do Nascimento , na Boa Vista.

Outro ato político-cultural pela ampliação dos direitos das mulheres, intitulado "Viver com Dignidade e Liberdade: Trabalho, Corpo e Território", vai acontecer na Praça Central de Chapecó, em frente à igreja, a partir das 14 horas.

Em Joinville também haverá mobilizações feministas no dia 8 e no dia 9.

O Fórum de Mulheres de Santa Catarina, em conjunto com outros coletivos, movimentos sociais, organizações e partidos, fará no dia 8, das 9h às 11h30, uma oficina na comunidade Jardim das Oliveiras. E das 15h às 18h, um ato político acontecerá na Praça Tiradentes.

Já no dia 9, um ato público está previsto em frente ao Sesc Beira Rio a partir das 16h30.

No dia 8, em Florianópolis, a partir do meio-dia, as mulheres darão inicio as atividades de protestos na cabeceira da Ponte Hercílio Luz, na Ilha, em frente ao Parque da Luz.

E no dia 9, do meio-dia às 17 horas, diversas atividades acontecerão no Largo da Alfândega. A grande marcha está prevista para começar às 17 horas.

Sergipe
As sergipanas também começaram antes as mobilizações do Dia Internacional das Mulheres. No decorrer do mês de março as trabalhadoras participaram de diversas atividades, mas no dia 6 acontecerá o relançamento do Coletivo de mulheres do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (SINTESE), no Espaço Semear às 14h. No dia 7, as mulheres se reunirão no Sindicato das Domésticas e no dia 8 o Ato Político Cultural “Resistiremos para Viver! Vivermos para Transformar”, organizado pela CUT, demais centrais e movimentos sociais acontecerá nos Arcos Orla de Aracaju a partir das 8 horas.

Tocantins
No Dia Internacional das Mulheres elas vão fazer um ato público na Feira do Setor Aureny I, Região Sul de Palmas.

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Trabalho aos domingos não vai fazer economia crescer, afirmam economistas

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A Medida Provisória (MP) nº 905, da Carteira Verde e Amarela, criada pelo ministro da Economia, o banqueiro, Paulo Guedes, com o aval de Jair Bolsonaro (sem partido), retira diversos direitos trabalhistas e traz, entre outras maldades, a liberação do trabalho aos domingos em todos os setores.

Apesar de algumas mudanças no texto original do governo, o relator da MP, deputado Christino Aureo (PP/RJ), aprovou que, nos setores de comércio e serviços, o descanso semanal deverá coincidir com o domingo pelo menos uma vez a cada quatro semanas. Para indústria, agricultura, pesca e demais setores, uma vez a cada sete semanas. O texto do relator ainda deverá passar por votação na Câmara dos Deputados.

A professora de economia da Universidade de São Paulo (USP), Leda Paulani, critica a liberação do trabalho aos domingos. Segundo ela, a medida não trará nenhum benefício para a economia do país, somente a perda de direitos.

Para ela, a MP da Carteira Verde e Amarela, é mais uma etapa de implantação da cartilha neoliberal do atual governo, que tem como projeto a flexibilização e perdas de direitos trabalhistas, pois não tem nenhum impacto positivo na economia.

“O efeito sobre a recuperação econômica é zero. O problema dessa crise é a falta de demanda. Não adianta incentivar o consumo abrindo o comércio aos domingos, como já vem sendo feito, se os trabalhadores não têm dinheiro para consumir, nem mesmo empregos, já que estamos num momento em que há fábricas demitindo e outras optando por férias coletivas”, diz a professora de economia.

Segundo Paulani, numa crise financeira em que os investimentos privados estão em baixa, é o investimento público que deveria ser utilizado para fazer a economia girar e ser sustentável.

“Não adianta querer estimular a economia, sem permitir um crescimento sustentável. E com o clima de incertezas no Brasil e no mundo, é preciso um programa de investimentos públicos, como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Mas, com essa filosofia ultra liberal de Guedes não tem jeito do país investir ”, critica.

A razão da letargia da economia é a falta de investimento público e, sem ele, se aprofunda a desigualdade social - Leda Paulani

A mesma visão de que a Carteira Verde e Amarela não impulsionará a economia tem Ana Luiza Matos de Oliveira, professora de economia da Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (FLACSO) .

De acordo com ela, as pessoas têm por hábito organizar suas atividades conforme as regras estabelecidas e, por isso, elas podem até realizar suas atividades econômicas, como pagar contas, ou fazer compras aos domingos, mas isto não significa que irão consumir mais.

Ana Luiza que também estudou em Genebra, na Suíça, conta que lá os supermercados não abrem aos domingos e as pessoas se organizam para fazer suas compras em outro dia da semana.

“O trabalho aos domingos não vai gerar aumento da atividade econômica. A MP do governo vai apenas beneficiar os donos das grandes fábricas e indústrias, que, com certeza, não vão trabalhar aos domingos”, critica.

Relações familiares e sociais devem mudar com trabalho aos domingos

Ana Luiza, que também é doutora em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Pesquisa Econômica da Unicamp, afirma que o trabalho aos domingos impõe uma nova forma de sociabilidade.

“É este tipo de sociedade que queremos viver, em que todos trabalhem aos domingos , ao invés de ficar com a família, fazer algum hobby e ter oportunidade de lazer com os amigos? questiona.

A economista afirma ainda que o trabalho está tomando conta da gente, e a sociedade brasileira precisa se perguntar se quer abrir mão do descanso aos finais de semana.

Ela lembra que este é um tema que vem sendo questionado em diversos países do mundo, como bem demonstrou, segundo ela, o documentário vencedor do Oscar, deste ano, “ Indústria Americana” (Netflix), que mostra o conflito dentro de uma fábrica nos Estados Unidos, comprada por chineses, que reclamavam que os norte-americanos “folgavam muito” , além de dizerem que na China, os trabalhadores locais têm dois empregos e poucas folgas.

Em nome de uma suposta competitividade está se reduzindo padrões mínimos de sociabilidade. Mas, é possível se organizar para que todos tenham direito ao tempo livre com suas famílias. Para isso, os trabalhadores daqui e em todo mundo precisam se unir - Ana Luiza Matos de Oliveira

Esta união em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, que prega a economista, começa a se tornar realidade com a decisão das centrais sindicais em promover no próximo dia 18 de março, o Dia Nacional de Luta em Defesa do Serviço Público, Estatais, Emprego e Salário, Soberania, Defesa da Amazônia e Agricultura Familiar”.

Convocado pela CUT e demais Centrais sindicais, o 18 de março será um dia de mobilizações nos locais de trabalho, paralisações e atos nas principais capitais e nas cidades do interior do país.

por Rosely Rocha | Central Única dos Trabalhadores

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