Evento no SINTPq denuncia desigualdade de gênero e propõe ações urgentes
Mesa de debate aponta a urgência de políticas públicas e mudanças culturais para a igualdade entre homens e mulheres
No sábado, 15 de março, o SINTPq promoveu um evento em celebração ao Dia das Mulheres, trazendo à tona debates essenciais sobre desigualdade de gênero. Com o tema "Cansadas, mas não caladas: pelo fim da jornada invisível e por dias mais justos", a mesa de discussão destacou dados, reforçando a urgência de ações concretas para a construção de um futuro mais justo.
Priscila Leal, diretora do SINTPq, abriu o debate com dados que escancaram a desigualdade "31,7% das mulheres em idade ativa renunciam a oportunidades profissionais por conta das responsabilidades domésticas, enquanto entre os homens esse índice é de apenas 3,5%". Para ela, políticas públicas eficazes e o combate à cultura machista são fundamentais para garantir a igualdade, incluindo a ampliação de creches e escolas em tempo integral, além de campanhas de conscientização sobre a divisão justa das tarefas domésticas.
Dolores Zundt, professora da rede estadual, traçou um histórico da luta feminina, desde as bases teóricas de Engels até os desafios contemporâneos. Ela destacou a sub-representação das mulheres na ciência, com dados da UNESCO revelando que apenas um em cada três pesquisadores é mulher. Para Dolores, o fortalecimento feminino passa por políticas de cuidado, como creches e escolas de qualidade, além do incentivo à participação feminina em áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Marilane Teixeira, economista da Unicamp, aprofundou a análise sobre a sobrecarga feminina, evidenciando como "o trabalho doméstico não remunerado sustenta o sistema capitalista". Ela criticou o neoliberalismo e a aliança com o conservadorismo, que reforçam o papel da mulher como cuidadora. Marilane apresentou dados que revelam a persistência da desigualdade, como a disparidade nas taxas de desemprego entre homens brancos e mulheres negras, e a concentração de mulheres negras em trabalhos precários. A economista destacou a importância da organização feminina em sindicatos e movimentos sociais, e mencionou iniciativas governamentais como a lei da igualdade salarial e a política nacional de cuidados, reconhecendo os desafios na implementação. Marilane ressaltou a força do movimento feminista brasileiro, lembrando as mobilizações contra a PEC do Teto dos Gastos e a luta das mulheres do MST.

Sheyla, diretora do SINTPq, emocionou ao compartilhar a dura realidade da sobrecarga feminina, unindo histórias de sua família e suas próprias experiências. Ela denunciou a violência, a discriminação e a exaustão enfrentadas pelas mulheres, relatando as dificuldades vividas por sua avó, mãe e tias, vítimas de violência e exaustão, e compartilhando sua luta pessoal contra o assédio, a discriminação e a dificuldade de conciliar trabalho e cuidados. Sheyla criticou a falta de respeito no mercado de trabalho e a internalização do machismo por algumas mulheres, clamando por uma mudança cultural, onde as mulheres sejam respeitadas e valorizadas em todas as esferas da vida.
O debate evidenciou a complexidade da desigualdade de gênero e a necessidade de ações multifacetadas. Além das políticas públicas e da organização feminina, foram levantadas propostas como a eliminação da disparidade salarial, o incentivo à liderança feminina e a transformação da cultura machista. O evento reforçou a urgência de um compromisso coletivo para construir um futuro onde a igualdade não seja apenas um ideal, mas uma realidade concreta, destacando a importância da participação masculina na luta pela igualdade de gênero e da criação de redes de apoio para mulheres em situação de vulnerabilidade.
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