Margarida Alves inspira luta por direitos no campo
O Brasil é um dos mais perigosos do mundo para quem defende direitos humanos

No dia 12 de agosto de 1983, um crime bárbaro chocou o Brasil e o mundo: a execução de Margarida Maria Alves, trabalhadora rural, mulher nordestina, negra, sindicalista e militante incansável pelos direitos das trabalhadoras e trabalhadores do campo. Margarida foi assassinada na porta de sua casa, em Alagoa Grande (PB). O crime foi encomendado por latifundiários da região, incomodados com a atuação corajosa de Margarida na defesa dos direitos dos trabalhadores do campo.
Margarida foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de sua cidade, e a primeira no estado da Paraíba a enfrentar abertamente os poderosos em plena ditadura militar. Durante os 12 anos em que esteve à frente do sindicato, ela lutou para que os trabalhadores e trabalhadoras do campo tivessem seus direitos respeitados, como carteira de trabalho assinada, férias, 13º salário e jornada de trabalho de 8 horas diárias.
Apesar da grande repercussão nacional e internacional, os mandantes e os executores do crime não foram responsabilizados e, quatro décadas depois, essa triste história segue se repetindo em todo o país. O Brasil é um dos mais perigosos do mundo para quem defende direitos humanos, a reforma agrária, a proteção dos povos originários e do meio ambiente. Em 2024, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), 13 lideranças foram mortas no campo.
A morte de Margarida não foi um caso isolado; ela segue a lógica das elites do campo que tentam, a todo custo, silenciar aqueles que lutam por direitos, terra e justiça. Casos como de Margarida Alves, Marielle Franco, Bruno Pereira e Dom Phillips deixa evidente que a classe dominante está disposta a executar quem enfrentar seus interesses. Mas a covardia dos poderosos não conseguiu calar a voz de lutadoras como Margarida. Seu legado segue vivo através da Marcha das Margaridas, a maior mobilização de mulheres do campo, da floresta e das águas da América Latina. Essa mobilização, que acontece de quatro em quatro anos desde 2000, leva o nome de Margarida para lembrar a todos que não há justiça social sem justiça no campo, sem reforma agrária, sem segurança para quem luta.
Margarida, presente!
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