Mulheres lideram consumo de livros no Brasil e impulsionam crescimento do mercado em 2025
Levantamento aponta avanço de 3 milhões de novos leitores e destaca protagonismo feminino, com destaque para mulheres negras da classe C

Foto: Agência Brasil
As mulheres são maioria entre os consumidores de livros no Brasil e lideram o crescimento do mercado editorial. É o que aponta a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada nesta quinta-feira (26) pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData.
De acordo com o levantamento, 61% dos consumidores de livros no país são mulheres. O estudo também revela um dado expressivo: as mulheres negras da classe C formam o maior grupo leitor do Brasil, representando 15% do total de consumidores.
O avanço feminino ocorre em um cenário de crescimento geral do mercado. Em 2025, 18% da população acima de 18 anos comprou ao menos um livro, impresso ou digital, um aumento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores.
Segundo a presidente da CBL, Sevani Matos, o resultado indica que o livro mantém relevância no país. “O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro”, afirmou.
A pesquisa foi realizada com base em 16 mil entrevistas, conduzidas em outubro de 2025, e também analisou o perfil de quem não consome livros. Entre os não compradores, 28% apontaram a ausência de livrarias ou pontos de venda próximos como fator de desmotivação, enquanto 35% consideram os livros caros.
Outro dado relevante envolve o acesso a conteúdo gratuito: 16,3% disseram baixar livros digitais sem custo e 16,1% afirmaram utilizar PDFs gratuitos, cenário que, segundo a Nielsen, está parcialmente ligado à pirataria, mas também indica uma demanda reprimida por leitura.
Entre os leitores, o crescimento foi mais acentuado entre jovens de 18 a 34 anos, com aumento de 3,4 pontos percentuais. Redes sociais têm papel central nesse movimento: 56% dos consumidores afirmam comprar livros por essas plataformas.
Nesse ambiente digital, as mulheres também se destacam. Na faixa entre 25 e 54 anos, elas representam 76% das consumidoras que utilizam redes sociais para adquirir livros.
Apesar do avanço do digital, o livro impresso segue predominante: 80% das últimas compras foram de exemplares físicos, contra 20% em formato digital. A livraria, por sua vez, mantém relevância simbólica e cultural — para 53% dos consumidores, esses espaços são associados ao lazer e à descoberta, enquanto 46% os relacionam à conexão com conhecimento.
O levantamento também aponta tendências de consumo. Livros de colorir ganharam destaque, atingindo cerca de 11 milhões de compradores adultos, o equivalente a 40% dos consumidores. Já no varejo, títulos de ficção, especialmente do gênero Young Adult, tiveram papel decisivo no crescimento.
Para o setor, o desafio agora é ampliar o acesso e transformar interesse em consumo efetivo. “O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento”, concluiu Sevani Matos.
***Com informações da Agência Brasil
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