SINTPq apoia estudo da Unicamp que comprova viabilidade da jornada de 36 horas e geração de empregos
Levantamento do Cesit aponta criação de até 4,5 milhões de postos de trabalho e aumento da produtividade, desmontando o discurso patronal contra o fim da escala 6x1

Foto: Agência Brasil
O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq) declara apoio ao estudo elaborado por pesquisadoras e pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp, que aponta que a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar em cerca de 4% a produtividade no Brasil. O levantamento, construído com base em dados da Pnad Contínua do IBGE e reunido no chamado Dossiê 6x1, foi apresentado neste semestre como contribuição ao debate nacional sobre a proposta que tramita no Congresso e reforça que o país reúne condições econômicas e estruturais para trabalhar menos sem reduzir salários e direitos.
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE, o estudo revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores ao limite legal de 44 horas previsto na CLT. Mostra ainda que 76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas semanais, sendo que 58,7% estão entre 40 e 44 horas. Para o SINTPq, esses números evidenciam uma realidade de sobrecarga estrutural, que atinge principalmente a classe trabalhadora do comércio e dos serviços, setores historicamente marcados por longas jornadas e baixos salários.
O levantamento também aponta a existência de cerca de 4,5 milhões de pessoas em situação de subocupação, que gostariam de trabalhar mais, mas não encontram oportunidade. Para o Sindicato, a redistribuição do tempo de trabalho é uma medida concreta de enfrentamento ao desemprego e à informalidade, além de instrumento de combate às desigualdades sociais, raciais e de gênero.
A proposta em debate no Congresso Nacional, por meio da PEC 8/25, prevê o fim da escala 6x1 e a limitação da jornada a 36 horas semanais, com adoção de novos formatos de organização do tempo de trabalho. O SINTPq reafirma que a escala 6x1 representa um modelo extenuante, que compromete a saúde física e mental dos trabalhadores. Dados recentes indicam que, apenas em 2024, houve meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais relacionadas às condições de trabalho no emprego formal, sem considerar a ampla parcela da classe trabalhadora submetida à informalidade.
Para o SINTPq, a resistência de setores empresariais à redução da jornada repete um padrão histórico de oposição a avanços como o salário mínimo, o 13º salário e a formalização do trabalho doméstico. O Sindicato afirma que os ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas, impulsionados por tecnologia, qualificação profissional e reorganização produtiva, precisam ser revertidos em benefício da classe trabalhadora.
O SINTPq seguirá mobilizado em defesa da redução da jornada sem redução salarial, articulando-se com outras entidades sindicais, movimentos sociais e parlamentares comprometidos com a pauta. Trabalhar menos para viver melhor não é privilégio, é direito.
A luta histórica da classe trabalhadora demonstra que nenhum avanço veio sem organização coletiva e pressão social. A hora de avançar novamente é agora.
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