Notícias | SINTPq defende cooperação científica internacional e destaca papel estratégico dos trabalhadores da pesquisa no acordo Brasil–Uruguai

SINTPq defende cooperação científica internacional e destaca papel estratégico dos trabalhadores da pesquisa no acordo Brasil–Uruguai

Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo avalia memorando como avanço para a ciência pública, a integração latino-americana e a valorização do trabalho

06/02/2026

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Foto: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

 

O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq) avalia como um avanço estratégico para a ciência pública e para a integração regional o memorando de entendimento assinado no fim do mês de janeiro, em Montevidéu, entre Brasil e Uruguai, que institui o Centro Brasil-Uruguai de Pesquisa e Inovação em Ciências da Vida. Para o sindicato, a iniciativa fortalece a cooperação científica internacional, amplia o intercâmbio entre instituições públicas de pesquisa e reafirma o papel central dos trabalhadores e trabalhadoras da ciência na produção de conhecimento voltado às necessidades sociais.

Segundo o dirigente do SINTPq, Antonio Neto, o acordo “representa mais um capítulo no longo histórico de cooperação entre o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), centros de pesquisa e universidades da América Latina e Caribe”.

O memorando foi assinado durante visita oficial da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ao Uruguai, e envolve, pelo lado brasileiro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o CNPEM. Pelo lado uruguaio, participam o Ministério da Educação e Cultura e o Instituto de Pesquisas Biológicas Clemente Estable. A cerimônia ocorreu no Auditório da Torre Executiva, com a presença da vice-presidente do Uruguai, Carolina Cosse.

Durante o evento, a ministra destacou que o acordo inaugura uma nova etapa na relação bilateral, ao transformar o alinhamento político e a amizade entre os povos em ações concretas na área de pesquisa e inovação, com impactos diretos no desenvolvimento econômico e social dos dois países.

Na avaliação do SINTPq, a criação do Centro Brasil-Uruguai reforça uma trajetória já consolidada de cooperação científica regional, especialmente a partir do papel desempenhado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais como infraestrutura pública aberta à comunidade científica latino-americana.

Antonio Neto ressalta que essa cooperação se materializa, por exemplo, no apoio oferecido a pesquisadores estrangeiros para a realização de experimentos nas instalações do CNPEM, incluindo auxílio com transporte, hospedagem e alimentação. Esse modelo, segundo o dirigente, permite que pesquisadores da América do Sul desenvolvam cotidianamente seus trabalhos nos Laboratórios Nacionais do CNPEM, fortalecendo a ciência regional de forma integrada.

O sindicato também destaca que o foco do memorando em áreas como saúde, biotecnologia e desenvolvimento sustentável dialoga diretamente com a expertise construída pelos trabalhadores e trabalhadoras do CNPEM ao longo dos anos. Entre os exemplos estão as pesquisas em novos fármacos para doenças negligenciadas, desenvolvidas no Laboratório Nacional de Biociências; os estudos com enzimas para produção de bioquerosene no Laboratório Nacional de Biorrenováveis; as parcerias entre o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e a Embrapa em pesquisas sobre solos coesos; e o projeto do laboratório Orion, que será o primeiro laboratório de biossegurança máxima da América Latina e o único no mundo associado a um acelerador de partículas, o Sirius.

Para o SINTPq, iniciativas como essa reforçam a importância do investimento público contínuo em ciência, tecnologia e inovação, bem como da valorização dos trabalhadores do setor, que são responsáveis por transformar acordos institucionais em pesquisa concreta, formação de quadros qualificados e soluções para problemas estruturais da sociedade.