A quem interessa desestabilizar o CTI?

26/01/2015

A última eleição para a direção do CTI Renato Archer representou um marco na história do Centro. Pela primeira vez desde sua fundação, em 1982, os trabalhadores tiveram participação ativa na escolha do futuro diretor.

A participação dos funcionários no comitê de busca não veio ao acaso. Já em 2010 e 2011, o SINTPq passou a se reunir com o então futuro ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloísio Mercadante e sua equipe, pleiteando a reformulação do comitê instalado pelo ministro Rezende, dando voz aos trabalhadores do CTI.

Naquela época, várias reuniões foram organizadas dentro do Centro, inclusive com a participação dos possíveis candidatos à direção, a fim de debater os rumos da instituição. A ampliação do processo democrático gerou debates de altíssimo nível, que possibilitaram a vitória de novas propostas para o CTI com a eleição de um funcionário oriundo da carreira de CT&I da própria instituição como novo diretor.

Às vésperas da formação de um novo comitê de busca, o sindicato se reuniu recentemente com o Secretário Executivo do MCTI, Álvaro Prata, solicitando que todos os trabalhadores do CTI, Facti, bolsistas e terceirizados que compõem a comunidade pudessem participar do processo eleitoral para o comitê de busca.

O CTI Renato Archer vai além dos servidores públicos que lá atuam. Atualmente, há no CTI uma comunidade de trabalhadores envolvida com os desafios da instituição e que tem contribuído para o seu sucesso. Por isso entendemos que todos têm direito ao voto e candidatura para a representação do comitê.

No entanto, no processo de escolha do novo diretor para a gestão 2015/2019 as coisas caminham de mal a pior. Com o objetivo de influenciar o comitê de busca e o próprio MCTI, abriu-se uma guerra contra a atual gestão com denúncias anônimas e infundamentadas.

Se existem denúncias e se as mesmas são consistentes, por que são anônimas? Temos um sindicato e uma associação que poderiam fazê-las em nome da comunidade junto ao Ministério Público Federal, com ampla discussão interna e pedidos de esclarecimento à atual direção antes de expor o nome da instituição negativamente à sociedade.  A quais interesses atendem essas denúncias se não à disputa pela direção do CTI?

Os anônimos denuncistas não estão preocupados com a melhoria dos processos internos da instituição, não se preocupam com a consolidação da participação da comunidade interna no comitê. O que querem na verdade é criar um caos no CTI para interferir no processo sucessório.

Não podemos nos esquecer de que em 1999, no primeiro dia do segundo mandato do FHC, uma portaria fechava o CTI e o SINTPq atuou junto ao Congresso Nacional para que isso não acontecesse. Iniciativas denuncistas, como as atuais, mais atrapalham do que ajudam a própria instituição.

Não podemos colocar a disputa pelo cargo de direção acima dos interesses do CTI e da ciência nacional. A vitória de 2010/2011, com a representação dos trabalhadores no comitê, não pode ser transformada em derrota em 2015.

A atual direção abriu o Centro para a sociedade e a comunidade local, colocou o CTI como referência nacional em políticas de tecnologia assistiva, transformando a instituição em um importante instrumento de políticas públicas em CT&I.

É preciso estimular o debate interno no mais alto nível, para que os acertos e erros da atual gestão sejam discutidos com profundidade e seriedade com toda a comunidade de trabalhadores do CTI. Precisamos ainda discutir as propostas para o futuro. A disputa pela direção não pode virar uma guerra contra o CTI Renato Archer e abrir espaço para retrocessos em relação à instituição.

Confira neste link carta protocolada pelo SINTPq em reunião com o secretário executivo do MCTI com o que defendemos para o CTI.