CPqD apresenta proposta decepcionante e força discussão sobre greve

03/11/2016

Em reunião na manhã de hoje, a direção do CPqD apresentou sua contraproposta para as campanhas salariais referentes a 2015 e 2016. Visando unificar as duas campanhas e acordos coletivos, a empresa condicionou sua proposta à retirada do dissídio coletivo e ofereceu o reajuste salarial de 10% para ambas, sem retroatividade. Esse pagamento seria feito em duas parcelas, sendo pago apenas o IPCA em novembro e o restante em julho de 2017, também sem retroatividade.

O reajuste proposto pelo CPqD representa quase metade do percentual necessário para repor as perdas de 2015 e deste ano. O IPCA correspondente à campanha salarial do ano anterior foi de 9,93% e para este ano a estimativa gira em torno de 8,27%, uma vez que o IPCA+15 de outubro já foi divulgado e apresentou esse percentual. Dessa forma, seriam necessários cerca de 18,9% de recomposição salarial, valor bem acima dos 10% oferecidos.

Além disso, também é preciso considerar o fato de que o INPC referente à campanha salarial de 2015 foi superior ao IPCA, correspondendo a 10,33%. A Justiça do Trabalho utiliza o INPC em seus julgamentos de dissídio coletivo. Dessa forma, o reajuste que poderia ser estabelecido pela justiça no dissídio de 2015, em uma eventual decisão favorável aos trabalhadores, representa um montante superior ao que a empresa está propondo para duas campanhas salariais.

Em relação aos benefícios econômicos, a direção do Centro propõe recompor a inflação das duas campanhas salariais de acordo com o IPCA a partir de novembro. Já os valores referentes aos retroativos seriam pagos em dezembro.

A empresa deixou claro que esta será sua última proposta e, com essa justificativa, cancelou a segunda reunião de negociação que estava marcada para amanhã, às 16h.

Intransigência e desrespeito aos trabalhadores

Durante toda a mesa de negociação, o SINTPq reforçou o desejo de não unir as discussões das duas campanhas salariais, vontade essa que foi manifestada pelos trabalhadores na assembleia de formação de pauta. Mesmo assim, a direção do Centro permaneceu intransigente e evidenciou seu desejo de enterrar o dissídio do ano anterior.

Se a empresa possui condições de aplicar o IPCA nos salários e benefícios a partir de novembro, por que não garante esse alívio aos seus profissionais, que desde novembro de 2014 seguem sem reajuste? Dessa forma, a campanha salarial deste ano poderia caminhar rumo à um desfecho positivo e, em seguida, as conversações referentes ao dissídio coletivo de 2015 poderiam ser retomadas. O Sindicato apresentou essa possibilidade durante as negociações, mas a direção do Centro insiste em jogar os custos de seus erros administrativos nas costas dos trabalhadores.

A postura adotada pelos gestores do CPqD é irresponsável e resultará na ruína da instituição, uma vez que cada vez mais penaliza e desrespeita justamente os maiores responsáveis pela manutenção e sucesso do Centro: seus trabalhadores.

É hora de mobilização

Não resta dúvida de que os mandatários do CPqD não mantêm mais qualquer respeito por seus profissionais. Perante essa situação, a luta e organização dos trabalhadores é fundamental.

O SINTPq solicita aos funcionários do Centro que manifestem sua indignação vestindo peças de roupa na cor preta até a próxima assembleia com os trabalhadores, marcada para a próxima quinta-feira, dia 10, às 8h na portaria da empresa.

A assembleia discutirá ações necessárias neste momento crítico para os trabalhadores e, inclusive, a possibilidade de greve. Converse com seus colegas e fortaleça essa luta. É hora de deixar claro para a direção do CPqD que a instituição não é nada sem o trabalho de seus profissionais.

Participe das mobilizações e manifeste sua opinião na assembleia. Somente com união e luta será possível garantir o respeito aos trabalhadores e trabalhadoras do CPqD!