CPqD: Más decisões resultam em perda de capacidade tecnológica

12/03/2015

O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq) nasceu dentro do CPqD. Fruto de muita discussão sobre os problemas dos trabalhadores do setor na década de 1990. No entanto, em algo ninguém podia discordar: o CPqD era um centro de excelência em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações.  

Passaram-se mais de 20 anos. O Sistema Telebras, do qual o CPqD fazia parte, foi privatizado e muita coisa hoje é diferente. Entretanto, não podíamos imaginar o que o futuro reservava àquela empresa que era considerada referencia nacional.

Há algum tempo, a direção do CPqD tem feito opções gerenciais que aumentam a distância da empresa em relação a um centro de pesquisa. São opções de mercado, e um centro de pesquisa que faz opções de mercado está fadado a perder sua capacidade tecnológica e de desenvolvimento.

Os frutos das opções são visíveis na rotina da instituição com demissões injustificadas, atingindo principalmente os funcionários mais velhos, que têm acúmulo de pesquisa e informação. Outro sintoma é a alta rotatividade dos trabalhadores. Apenas no ano passado, 114 trabalhadores com menos de 35 anos foram desligados do CPqD. Desses, 78 pediram demissão com tempo médio de serviço de três anos e quatro meses. De 101 trabalhadores demitidos por iniciativa da empresa, 56 tinham mais que 40 anos de idade, sendo 42 funcionários com mais de 10 anos de casa.

Podemos observar que os mais novos não estão interessados em ficar, seja em função das condições de trabalho e carreira, ou devido a oportunidades de trabalho melhores fora do CPqD.  Para os mais experientes, mais antigos e com maiores salários a demissão virou uma espada na cabeça, principalmente se considerarmos que o CPqD tem cada vez menos trabalhadores com mais de dez anos de casa.

Para o SINTPq, essa conjuntura dentro do CPqD, que privilegia o mercado ao invés da pesquisa, tem colocado a instituição em uma rota de total perda de capacidade tecnológica em telecomunicações.

Além dos problemas estruturais acima elencados, por incompetência gerencial, o CPqD perdeu em 2014 R$ 30 milhões em recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Segundo um membro do conselho gestor do Fundo, o montante foi contingenciado, pois o plano de transparência para aplicação de recursos do Funttel, apresentado pelo CPqD, estava incompleto e apresentava falhas na destinação financeira e prestação de contas.

Os recursos do Funttel são fundamentais para a manutenção da capacidade tecnológica do CPqD, assim como para o desenvolvimento científico da instituição. Não podemos assistir de braços cruzados ao desmonte da empresa, quer seja pela precarização do corpo de trabalhadores, quer seja pelas más escolhas gerenciais.

Diante dos fatos, torna-se claro que as opções administrativas e mercadológicas tomadas pela direção do CPqD têm resultado em erros cada vez maiores. Toda essa conjuntura precisa ser observada com atenção pelo Governo Federal e providencias precisam ser tomadas pelos órgãos responsáveis, em especial o conselho curador do CPqD para que o Brasil não perca de vez tudo que foi acumulado em P&D desde a criação da Telebrás.

O SINTPq já solicitou uma reunião com o vice-presidente administrativo e financeiro do CPqD para discutir as demissões. Após o encontro, que acontecerá ainda neste mês, o SINTPq convocará uma assembleia com os trabalhadores.