CPqD: SINTPq e trabalhadores seguem exigindo a retomada das negociações

05/12/2016

Em nova paralisação realizada na manhã de hoje, dia 5, Sindicato e funcionários continuaram os debates sobre a campanha salarial. Relatos sobre o clima de desmotivação e intimidações contra os trabalhadores, praticadas pelo comando da empresa, estiveram presentes durante toda a assembleia permanente.

O entendimento do SINTPq e dos funcionários que participaram da mobilização é de que a direção do CPqD aparenta aguardar pelo esgotamento de seus profissionais para forçar a aprovação de uma contraproposta que represente perdas salariais.

Apesar da antecipação da mesa redonda no Ministério do Trabalho e Previdência Social estar sendo solicitada pelo Sindicato, caso a postura da empresa não mude, as negociações poderão retornar apenas em 2017.

Em meio a esse momento de impasse e dificuldades, a funcionária do CPqD e diretora do SINTPq, Filó Santos, manifestou suas considerações e sentimentos a respeito da campanha salarial em uma carta aberta. A pedido da nossa companheira de trabalho e Sindicato, o SINTPq divulga aqui a íntegra da mesma.

CPqD dividido em nome da previsibilidade

Em carta me dirijo a toda comunidade do CPqD.

Em nome da insistente e teimosa presença da palavra previsibilidade, estamos degastando relações e nos fragilizando. Estamos a um passo do stress virar um ato de violência.

As pessoas têm diferentes sonhos, objetivos, prioridades, desejos, angústias, e compreender essa diferença nos permite respeitar os direitos dos outros, mas também respeitar e lutar por nossos direitos.

Tenho observado com tristeza e apreensão os constantes ataques à liberdade de expressão e a constante negativa de um debate. Você já parou para ouvir os argumentos do colega que defende a reposição salarial de 7,87%? Você tem argumentos que justifique a defesa de um percentual menor? Você já parou para ouvir os argumentos do colega que defende uma negociação mais justa para retirada da ação de dissídio coletivo? Você tem argumentos que justifique a defesa de uma negociação em outros termos? Você acha que seus colegas são idiotas, sem discernimento, irresponsáveis, mercenários por defender algo diferente de você? São pessoas que têm o direito de lutar pelo que acreditam, assim como você tem o direito de acreditar que não é preciso lutar.

Infelizmente a Diretoria Executiva do CPqD utiliza a previsibilidade como bengala e isso os fazem fechados a qualquer outra solução. A saída é simples, reposição salarial de 7,87% com os feriados pontes, e o acordo desse ano passaria com sobras. Os 9,93% do ano passado não são um número indivisível, inegociável, infinito, e a retirada da ação de dissídio coletivo é totalmente positiva, desde que as regras não sejam impostas, mas sejam construídas em conjunto com a Diretoria Executiva e a comunidade do CPqD. Dessa forma, é possível adotar uma solução mais justa, que não prejudique e comprometa as finanças da instituição, mas que também não penalize os funcionários.

Me angustia perceber que no momento em que mais precisamos de união a encontramos fragilizada pela previsibilidade.

Me decepcionei muito com o Projeto Transformar. Talvez eu tenha sido muito romântica na perspectiva do poder de transformação. Queria ajudar a transformar o CPqD em um grande Centro de Pesquisa. Queria ajudar a transformar o CPqD no orgulho campineiro, reconhecido no Brasil e muitos outros países. Queria ajudar a transformar o CPqD num paraíso.

Quando eu aceitei entrar para o Sindicato, carreguei comigo esse sonho. Eu tenho profundo respeito e admiração pelos diretores do SINTPq. Desde a sua fundação, 26 anos atrás, ele se pautou na defesa dos trabalhadores de toda a sua base. Não estamos imunes a cometer erros e equívocos, afinal somos humanos. As críticas que recebemos devem ser processadas, refletidas e debatidas, pois nem todas são construtivas.

Eu espero que consigamos chegar a um acordo que satisfaça a grande maioria da comunidade do CPqD e que possamos transformar essa nossa experiência em um grande aprendizado.

Pela retomada da negociação, pelo diálogo franco e aberto, pela restauração da união e amizades.

Filó, funcionária do CPqD e diretora do SINTPq.