Notícias | Diretores da Amazul aprovam bônus e reajustes enquanto trabalhadores enfrentam ameaça de retirada da periculosidade

Diretores da Amazul aprovam bônus e reajustes enquanto trabalhadores enfrentam ameaça de retirada da periculosidade

Representante eleito pelos empregados foi o único voto contrário à Remuneração Variável Anual da diretoria; SINTPq critica decisão e cobra valorização dos trabalhadores da empresa.

21/05/2026

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O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq) manifesta preocupação e indignação diante da aprovação do pagamento da Remuneração Variável Anual (RVA) aos diretores da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul), conforme ata publicada no Diário Oficial da União na última terça-feira (12). A decisão ocorre em meio à tentativa de retirada do adicional de periculosidade de centenas de trabalhadores e trabalhadoras da empresa.

Segundo a ata do Conselho de Administração (CONSAD), o representante eleito pelos empregados, Marcel Zara de Souza Lima, foi o único conselheiro a votar contra o encaminhamento dos resultados da RVA 2025. O posicionamento contrário ocorreu sob o entendimento de que o programa não considerou indicadores relacionados à valorização das pessoas e às condições de trabalho na empresa.

Não existe resultado sem o compromisso e a dedicação dos trabalhadores. Portanto, não pode existir remuneração variável baseada nos resultados apenas para a diretoria. Ou é para todos, ou não deve existir para ninguém.

Durante a reunião, Marcel afirmou que já havia alertado anteriormente para a necessidade de inclusão de critérios ligados à gestão de pessoas e à qualidade das relações de trabalho, mantendo seu voto contrário por coerência com a posição defendida anteriormente.

A ata também registra que o Conselho aprovou reajuste de 4,26% na remuneração fixa dos administradores e membros dos órgãos estatutários, além da proposta de aumento do benefício alimentação da diretoria, que passará de R$ 1.080 para R$ 1.450. Também foi aprovado o pagamento da RVA 2025 em cinco parcelas.

Para o SINTPq, a decisão escancara uma contradição dentro da empresa. Enquanto a direção discute bônus, reajustes e benefícios para cargos de confiança, trabalhadores seguem mobilizados contra a ameaça de retirada do adicional de periculosidade, medida que atinge diretamente quem atua nas atividades estratégicas da empresa. O sindicato lembra ainda que os prejuízos sofridos por parte dos trabalhadores e trabalhadoras após a implantação do novo PCRC ainda não foram totalmente corrigidos.