IPT: Nota à imprensa sobre a adesão ao PPE

28/06/2016

O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq) esclarece que a proposta do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), atualmente sendo praticada pela empresa, foi aprovada por seus empregados em assembleia realizada em 17 de maio deste ano, com cerca de 700 participantes.

Conforme legislação, apenas os empregados abrangidos pelo Programa tiveram direito ao voto, totalizando 702 trabalhadores do Instituto. Há ainda 65 empregados alocados em cinco laboratórios que, pela alta demanda de serviços já vendidos e em execução, não participam do PPE.

A votação foi secreta (em urnas) e com lista de votantes. Foram apurados 492 votos, sendo 335 favoráveis, 151 contrários, uma abstenção, dois votos brancos e três nulos. Assim, democraticamente, 70% dos trabalhadores abrangidos pelo PPE manifestaram sua vontade.
 
Em sua proposta, a empresa garante a manutenção dos empregos de todos os trabalhadores (incluindo os não participantes do PPE) até o dia 31 de janeiro de 2017, reduz a jornada de trabalho em 20% (as sextas-feiras não há expediente) e garante aos empregados o recebimento de 90% dos salários.

Na assembleia que deliberou sobre o Programa, o SINTPq se posicionou pela importância da manutenção dos postos de trabalho de todos os empregados (participantes ou não do PPE) e alertou a todos que aderir ao Programa é mais uma contribuição dos trabalhadores para que o Instituto supere suas dificuldades financeiras. No entanto, destacou que a solução para a falta de recursos do IPT passa também pelo Governo do Estado de São Paulo que há mais de 12 anos não altera ou recompõem pela inflação o montante de recursos destinado ao custeio do IPT, comprometendo a qualidade dos trabalhos técnicos que tanto beneficiam a população paulista.  

A principal consequência da trágica política em C,T&I praticada pelos governos PSDB e, intensificada pelo governador Geraldo Alckmin, é a perda de capacidade técnica do Instituto. Ao longo dos últimos anos diversos profissionais deixaram o IPT em função dos cortes e medidas de diminuição na folha de pagamentos. Em 2015, 90 profissionais se desligaram da instituição. Até março de 2016, já contabilizávamos 35 empregados que deixaram o IPT. Estes números evidenciam a posição do SINTPq pela garantia dos empregos.

Outro gargalo que o IPT precisa vencer são os projetos de pesquisas financiados pelas agências de fomento. Estes, por vício de origem, não pagam as horas de trabalho das equipes. Tal custo precisa ser suprido por recursos de serviços vendidos à iniciativa privada.

Desta forma, os recursos desta origem dão ao balanço financeiro do IPT uma imagem fictícia, pois entram e saem na mesma proporção, não contabilizando adequadamente os custos de mão-de-obra para sua execução que existem e são relativizados nos números finais. Na prática, essa situação só é desvantajosa para o IPT pela falta de apoio do Governo Estadual que, como acionista, deveria ao menos garantir os recursos financeiros necessários para a manutenção de sua qualidade.
 
O IPT possui mais de 100 anos de atuação nas áreas de pesquisa, educação e tecnologia, sendo uma das maiores instituições de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico do país.

Com 38 laboratórios, pesquisadores e técnicos altamente qualificados o Instituto atua basicamente em quatro grandes áreas: inovação, pesquisa e desenvolvimento; serviços tecnológicos; desenvolvimento e apoio metrológico e; informação e educação em tecnologia. Opera de forma multidisciplinar contemplando segmentos, como energia, transportes, petróleo e gás, meio ambiente, construção civil, cidades e segurança.

Os trabalhadores do IPT, ao aderirem ao PPE, mais uma vez contribuem para que o Instituto possa continuar por mais cem anos dedicando-se à sua missão: promover o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil.

No entanto, sem vontade política, a sobrevivência do IPT está ameaçada.