Número de trabalhadores com ensino superior dobra no Brasil em 13 anos
Dados do IBGE mostram recorde de 25,5 milhões de graduados ocupados em 2025; apesar da expansão, rendimento médio da categoria continua abaixo do teto registrado em 2014

Foto: Divulgação / Arquivo - Agência Brasil
O contingente de trabalhadores e trabalhadoras com ensino superior completo mais que dobrou no Brasil em um intervalo de 13 anos. Entre 2012 e 2025, o grupo de profissionais graduados saltou de 12,6 milhões para 25,5 milhões, o que representa uma alta de 103,3%. Os dados constam no módulo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O avanço absoluto, de quase 13 milhões de pessoas, supera a população inteira da cidade de São Paulo, estimada em 11,9 milhões. Em termos proporcionais, o crescimento da mão de obra diplomada superou significativamente o ritmo geral do mercado de trabalho. Enquanto o total de ocupados no país subiu 17,8% no mesmo período, passando de 86,3 milhões para 101,6 milhões, a participação dos graduados no total de trabalhadores atingiu a marca inédita de 25,1% no ano passado. Em 2012, essa fatia era de 14,6%.
Salário médio avança, mas fica abaixo do recorde
A pesquisa indica que profissionais com diploma universitário continuam com rendimentos consideravelmente superiores aos trabalhadores de menor escolaridade. Em 2025, o salário médio mensal habitualmente recebido por graduados foi de R$ 6.947. O valor é 163,1% maior do que a remuneração média de quem concluiu apenas o ensino médio, fixada em R$ 2.640.
Contudo, o ganho atual dos profissionais com nível superior permanece abaixo do teto histórico da série do IBGE, atingido em 2014, quando a média real era de R$ 8.023. Embora o indicador de 2025 represente uma recuperação de 3,9% na comparação com o ano anterior, o valor está 13,4% inferior ao patamar de 11 anos atrás.
A dinâmica difere do comportamento observado na média geral dos trabalhadores brasileiros. O rendimento médio de toda a população ocupada, considerando todos os níveis de instrução, renovou o recorde da série histórica em 2025, alcançando R$ 3.560 mensais.
Fatores de mercado e expansão do acesso
O IBGE não aponta as causas para o recuo no rendimento dos graduados frente à máxima histórica, mas analistas e economistas apontam que o fenômeno se deve à própria expansão da oferta de profissionais qualificados no mercado. Com o aumento da concorrência, uma parcela maior de trabalhadores ingressa em novas vagas com salários iniciais mais baixos, o que pressiona a média geral da categoria para baixo.
A redução da distância salarial entre os níveis de escolaridade confirma a tendência. Em 2014, a diferença entre a renda de quem tinha curso superior e quem possuía o ensino médio era de 189,8% (R$ 8.023 contra R$ 2.768), patamar superior aos 163,1% registrados no ano passado.
Especialistas associam a rápida inclusão de diplomados no mercado de trabalho às políticas públicas de expansão do acesso ao ensino superior promovidas nas últimas décadas, combinadas ao forte crescimento da modalidade de educação a distância (EAD) no país.
Matéria divulgada inicialmente na Folha de S.Paulo.
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