Trabalhadores do CPqD recusam contrapropostas e deliberam nova paralisação

28/11/2016

Em nova assembleia realizada na manhã de hoje, dia 28, os funcionários do CPqD rejeitaram ambas as contrapropostas da empresa para a campanha salarial. O resultado acirrado da votação, com 323 votos contrários e 314 favoráveis, evidenciou o clima de divisão entre os profissionais causado pelas condições discriminatórias oferecidas pela direção do Centro.

Em resposta às propostas da empresa, os trabalhadores deliberaram, pela terceira vez, que as negociações deste ano sejam desvinculadas do dissídio coletivo de 2015. Os funcionários exigem que a campanha salarial deste ano seja tratada à parte, garantindo a recomposição inflacionária nos salários e benefícios e a compensação dos dias pontes do próximo ano. Enquanto isso, o dissídio do ano anterior seria debatido por meio de uma comissão de funcionários que, juntamente com o SINTPq e a direção do CPqD, buscaria alternativas para o pagamento dos índices devidos.

Caso a empresa não atenda as condições apresentadas pelos trabalhadores, uma paralisação será realizada na portaria da empresa na sexta-feira (2), às 8h. Havendo concordância do CPqD com os pontos apresentados, o Acordo Coletivo de Trabalho deste ano será fechado de imediato, sem a necessidade de nova votação ou mobilização, conforme decidido na assembleia de hoje.

Para as próximas rodadas negociais, foram definidos dois novos trabalhadores que integrarão a comissão de negociação. Também foi sugerido pelos funcionários que as reuniões com a empresa sejam filmadas e transmitidas ao vivo pela internet.

O SINTPq já enviou comunicado ao CPqD informando oficialmente o resultado da assembleia e os nomes dos novos membros da comissão de negociação. Além disso, o Sindicato solicitou a retomada imediata das negociações e espera que a empresa apresente uma resposta o mais rápido possível.

Clima de revolta e desmotivação
Durante a assembleia, os funcionários expressaram suas opiniões e sugestões para o andamento da campanha salarial. Um dos pontos mais recorrentes nas manifestações foi o sentimento de desmotivação presente no ambiente de trabalho e a consequente queda na produtividade do Centro. Tal clima foi descrito como resultado do desrespeito para com os trabalhadores demonstrado através das propostas e da postura adota pela empresa durante as negociações.

Postura antidemocrática
Foi com o sentimento de decepção que o SINTPq e os funcionários que acompanharam toda a assembleia presenciaram o movimento praticado por uma parcela dos trabalhadores, que se recusaram a participar do debate junto aos seus colegas e se deslocaram para o auditório apenas no momento da votação.

O futuro do CPqD depende da ampla participação em todos os momentos institucionais como esse. Somente com o debate de ideias e posicionamentos será possível caminhar rumo à soluções e, dessa forma, construir um CPqD cada vez mais forte. Voltar-se apenas para interesses individuais e abrir mão de uma discussão de tamanha importância é jogar contra a instituição.