Zarattini defende aprovação do fim da escala 6x1 e cobra votação no Senado
De acordo com parlamentar, ainda existem margem para que proposta seja votada antes das eleições

Por Bruno Luporini
O deputado federal Carlos Zarattini, com mais de 30 anos de experiência legislativa, afirmou que a aprovação do projeto que extingue a escala de trabalho 6x1 representa uma das maiores conquistas recentes para os trabalhadores brasileiros, mas alertou que a proposta corre o risco de ficar paralisada no Senado Federal caso não seja votada nas próximas semanas. A declaração foi feita em uma entrevista do parlamentar concedida ao Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq), na quinta-feira, 23 de julho.
“Foi uma vitória muito grande a gente (Câmara dos Deputados) ter aprovado o fim da escala 6x1, a redução para 40 horas semanais sem redução de salário. Tivemos mais de 400 deputados votando a favor e apenas 22 contra”, destacou Zarattini, reforçando que a aprovação também foi fruto de grande articulação política, envolvendo, inclusive, o Poder Executivo. “Foi o presidente Lula que intercedeu nos momentos difíceis da negociação para que houvesse um apoio forte dos deputados. Essa atuação combinada com a proximidade das eleições nos deu condições de aprovar exatamente aquilo que a gente queria para esse texto”.
Agora, segundo Zarattini, o desafio é pressionar e garantir que a tramitação do projeto seja destravada no Senado. Para ele, o adiamento da análise pode comprometer a qualidade do projeto aprovado na Câmara, o que resultaria em perdas para a qualidade de vida do trabalhador brasileiro. "O presidente do Senado resolveu sentar em cima do projeto. Se não votar agora, vamos passar pelas eleições, a pressão das urnas vai se esvair e será muito mais difícil conseguir aprovar do jeito que saiu da Câmara”.
Por isso, o parlamentar defende a mobilização popular, uma vez que ainda vão acontecer duas semanas de atividades em Brasília antes da paralisação dos trabalhos para as Eleições 2026. “Na semana do dia 10 de agosto vai ter sessão e na semana do dia 1º de setembro também vai ter sessão. Então são as duas oportunidades da gente votar esse projeto e é fundamental que haja uma mobilização nas ruas e nas redes para que consigamos aprová-lo”.
Questionado sobre as críticas de setores empresariais ao projeto, Zarattini rebateu os argumentos de que a redução da jornada prejudicaria a economia. "O empresariado brasileiro tem uma mentalidade escravocrata. Eles combateram o 13º salário, combateram a jornada de 48 horas, combateram a redução para 44 horas. Tudo que favorece o trabalhador, dizem que vai causar um desastre na economia”. Zarattini enfatizou que tais argumentos contrários ao fim da escala 6x1 são falaciosos, uma vez que o fim desse modelo extenuante de trabalho trará benefícios para a sociedade. "As duas folgas semanais vão permitir que o trabalhador descanse, tenha outras atividades e possa produzir muito mais”.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 passou pela Câmara dos Deputados e agora está em tramitação no Senado Federal. Como se trata de uma alteração constitucional, o texto precisa ser analisado pelas comissões competentes, especialmente a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de seguir para votação em dois turnos no Plenário do Senado, onde depende da aprovação de pelo menos três quintos dos senadores em cada turno. Até o momento, a proposta ainda não foi votada pelo Plenário: o Senado tem promovido debates sobre seus impactos e a definição do calendário de tramitação continua sob responsabilidade da Mesa Diretora e da liderança da Casa.
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