Em primeiro pronunciamento, Temer diz que vai priorizar retirada de direitos
No seu primeiro pronunciamento, Temer diz que comanda um “governo parlamentar”, anunciando assim que agirá conforme o perfil da maioria dos deputados e senadores.
E esse perfil é um desastre para os trabalhadores e trabalhadoras A maioria, como ficou provado nos tristes espetáculos que foram as votações do impeachment, é financiada por empresários e especuladores. Na Câmara, são 246 empresários ou deputados eleitos por empresários. No Senado, 28 são empresários e 33 executivos ou profissionais liberais. Esses dados foram levantados pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
Com esse compromisso que têm com seus financiadores de campanha, é evidente que esses parlamentares, ao discutir reformas trabalhista e previdenciária, vão votar pela retirada de direitos, redução do valor das aposentadorias de até 40% e aumento no tempo de contribuição para até 70 anos.
Os efeitos desse desprezo pelo povo, tanto de Temer quanto da maioria do Congresso, já estão aí. Entre maio e junho, depois que Dilma foi afastada provisoriamente, o desemprego cresceu 3,8%. Os jovens até 24 anos são os mais prejudicados, representam 42% dos desempregados.
Enquanto isso, a taxa Selic continua nas alturas: 14,25% e, em sete meses, o lucro de quem especula com títulos da dívida pública e com câmbio chegou a 52%.
A indústria brasileira tem hoje 23% de sua capacidade ociosa, o que representa máquinas paradas e mais demissões. Afinal, quem investiria em produção se em apenas sete meses é possível ter um retorno de 52% na especulação? Tudo isso na curta era Temer.
Isso sem falar em projetos como a PEC 241, que pretende congelar por 20 anos os investimentos em políticas públicas e sociais, o que deixará milhões de brasileiros à mercê da miséria e do desamparo. Se essa regra estivesse valendo, em dez anos o Brasil deixaria de ter investido R$ 500 bilhões.
Só a pressão popular e a mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras vão impedir que os direitos sejam varridos do mapa brasileiro. A CUT, a maior e mais combativa central sindical do Brasil, coloca-se na linha de frente para fazer essa luta.
Mas é preciso que todos participem. Procure seu sindicato, busque informações com seus companheiros de trabalho e prepare-se para fazer parte das mobilizações que vão culminar na Greve Geral, absolutamente necessária se os golpistas insistirem nessa aventura louca de desprezo pelo povo e pelo futuro do Brasil.
Fonte: CUT
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