Zarattini defende o avanço da soberania nacional em ciência, pesquisa e tecnologia
Deputado federal também defende a regulamentação das redes sociais e critica privatizações em São Paulo

Por Bruno Luporini
O deputado federal Carlos Zarattini, com mais de 30 anos de experiência legislativa, afirmou que o trabalho sindical, em especial no campo da ciência e tecnologia, é fundamental para o desenvolvimento de uma classe trabalhadora que atua em uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento do Brasil. Em entrevista ao Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq), o parlamentar também abordou temas como pesquisa científica, políticas públicas, regulamentação das redes sociais e o cenário político nacional.
Às vésperas das eleições de 2026, Zarattini reforçou a importância estratégica da pesquisa científica para o desenvolvimento econômico brasileiro e destacou sua relação histórica e pessoal com o SINTPq. “São décadas acompanhando o trabalho do SINTPq, que atua em uma área estratégica para o desenvolvimento do Brasil. Afinal, não existe pesquisa e tecnologia se o trabalhador não estiver com condições dignas de trabalho e salários. Muitas empresas perdem profissionais justamente porque pagam baixos salários, por isso, a atuação sindical é muito importante, como é a atuação do SINTPq, para garantir tais condições dignas de trabalho”.
Embora reconheça o aumento dos investimentos federais na área, o parlamentar considera que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o Brasil se torne cada vez mais autossuficiente em desenvolvimento de pesquisa e tecnologia. "Nós temos aqui no Brasil uma dependência muito grande da pesquisa de outros países, muitos setores da indústria não desenvolvem pesquisa e acabam simplesmente pagando royalties para outros países. Por isso, temos que avançar para diminuir essa dependência. O governo do presidente Lula aumentou os recursos para esse setor, mas ainda são insuficientes. Precisamos viabilizar mais investimentos para garantir que a pesquisa se desenvolva no país."
Zarattini citou a Petrobras como exemplo de soberania nacional em desenvolvimento tecnológico. "Graças à pesquisa científica e tecnológica brasileira, foi possível desenvolver a exploração do pré-sal. Só uma tecnologia altamente desenvolvida seria capaz de retirar petróleo a mais de sete quilômetros de profundidade."
Amazul precisa voltar a reter profissionais
Já como exemplo de empresas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do setor tecnológico brasileiro, que precisam passar por um processo de qualificação, Zarattini citou a Amazul, empresa responsável por projetos ligados ao setor nuclear. "Nós fomos responsáveis pela criação da Amazul há mais de dez anos. Ela nasceu justamente para desenvolver a pesquisa nuclear e oferecer melhores condições aos trabalhadores envolvidos nesses projetos”. Porém, segundo ele, ao longo dos anos a empresa perdeu competitividade na retenção de profissionais qualificados. “Nossa luta é para que ela volte a reter esses trabalhadores. Para isso, precisa pagar melhores salários e garantir melhores condições de trabalho”.
“Nós também apoiamos a indústria química, estabelecendo um regime especial de tributação e, por se tratar de uma indústria de base, esse regime é fundamental para garantir a competitividade da indústria química nacional”. Zarattini afirmou que como parlamentar, além de defender a soberania nacional, sendo contrário ao processo de privatização de empresas nacionais, também é um defensor da democracia: “nosso mandato também lutou fortemente contra a intervenção dos militares na política, que é um problema histórico do Brasil e que nós precisamos resolver isso alterando o artigo 142 da Constituição Federal”.
Políticas públicas para reduzir desigualdades
Na luta para a redução da miséria e da desigualdade social, o parlamentar destacou projetos que marcaram sua atuação parlamentar, entre eles o Bilhete Único, a Tarifa Social de Energia Elétrica e o Auxílio Gás. O deputado apresentou ainda uma proposta para criação do Aluguel Social dentro do programa Minha Casa Minha Vida. "Queremos estabelecer uma modalidade em que a família possa pagar um aluguel abaixo do valor de mercado e, depois de 12 anos, tornar-se proprietária do imóvel”.
Para ele, políticas públicas representam instrumentos de inclusão social. "Nós precisamos tirar milhões de brasileiros da extrema desigualdade. Isso se faz através da ação do Estado, como o Gás do Povo, que atualmente beneficia cerca de 17 milhões de famílias”.
Regulamentação das redes sociais
Ainda dentro do tema referente à soberania nacional, a discussão sobre a regulamentação das redes sociais se faz atual e necessária em prol do combate à violência e discursos de ódio no ambiente virtual. Segundo Zarattini, o debate não envolve censura, mas mecanismos para combater conteúdos ilegais e desinformação. "Já está mais do que provado que é necessário haver controle sobre as redes sociais. Não controle de opiniões, mas de publicações que disseminam fake news, violência contra crianças, mulheres e estímulo ao armamentismo, por exemplo”.
Na avaliação do deputado, a resistência à regulamentação está diretamente ligada ao poder econômico das grandes plataformas. "Hoje a maior parte da publicidade está nas redes sociais. Elas têm um poder econômico muito grande e esse poder influencia diretamente a política. Então, na medida em que se propõem projetos que visam essa regulamentação, o poder econômico das redes atua fortemente para impedir que isso aconteça”.
Balanço dos mandatos
Ao fazer um balanço de sua trajetória parlamentar, Zarattini afirmou que sua atuação acompanhou diferentes momentos da história recente do país. "Vivemos avanços, retrocessos, o golpe contra Dilma, a resistência aos governos Temer e Bolsonaro e agora um governo de reconstrução com o presidente Lula."
Entre as prioridades para os próximos anos, ele destacou saúde, educação, habitação e segurança pública. "Nenhum país se desenvolve se não tiver uma mão de obra preparada. Hoje a economia depende do conhecimento, por isso precisamos investir fortemente na educação pública, qualificando o jovem de baixa renda, para que ele tenha mais oportunidades, além disso, temos que continuar avançando do ponto de vista das conquistas sociais e na melhora qualitativa do SUS”.
Críticas ao governo paulista
Com relação ao governo do Estado de São Paulo, Zarattini fez duras críticas à gestão de Tarcísio de Freitas, especialmente em relação às privatizações e à condução da educação pública. "Eu nunca vi um governo que desmontasse tanto a estrutura do Estado. A privatização da Sabesp é uma vergonha, a situação do transporte, com a privatização das linhas de trem e metrô, está aí para todo mundo ver e a educação virou uma educação de quinta categoria, porque agora eles colocam lá a plataformização, em que o aluno vai estudar através de um tablet, que nunca funciona, que nunca tem rede, que nunca tem chip”.
Para o deputado, a disputa política em São Paulo terá importância nacional. "É muito importante derrotar esse projeto, esse governador, que é uma pessoa que não tem capacidade de administrar nada, para que a gente acabe com uma política que submete os direitos dos trabalhadores aos interesses econômicos e nós vamos lutar contra isso”.
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